Este jornal registrou, em sua edição desta quarta-feira (21), que a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) ampliará sua produção no Espírito Santo, pois está de olho na crescente demanda mundial de minério de ferro, puxada pela China.
Os olhos da CVRD estão abertos para a industrialização do minério de ferro para vender as pelotas para as siderúrgicas, mas também estão mirando o imenso mercado do mineral bruto. A empresa quer elevar sua produção de 100 milhões de toneladas por ano para 286 milhões de toneladas até 2007.
Hoje, a CVRD é a maior exportadora do produto, com 32,9% de participação no mercado mundial. Além da China, há o mercado dos Estados Unidos da América, Japão e Europa. Há previsão de que o consumo mundial de ferro e aço no ano que vem atinja 990 milhões de toneladas.
A CVRD foi criada em 1 de junho de 1942 como estatal. Foi privatizada em 7 de maio de 1997 pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Numa das maiores traições aos cofres públicos brasileiros - traição festejada por FHC - a CVRD foi doada ao setor privado por U$ 3,338 bilhões. Hoje, a ex-empresa brasileira tem seu valor de mercado calculado em US$ 37,5 bilhões.
Além de ser a maior produtora e exportadora mundial de minério de ferro e pelotas, a CVRD é uma das principais produtoras mundiais de manganês e ferro-ligas. É também uma das maiores produtoras de bauxita, ouro, caulim, potássio, alumina e alumínio da América Latina. É ainda, como ela própria diz, a maior transportadora de carga do Brasil, e possui e opera várias ferrovias e portos. Participa de duas usinas hidrelétricas em operação e da construção de outras sete. Detém também participações em empresas de fertilizantes e em siderúrgicas no Brasil e no exterior.
A gigante CVRD tem boa parte de sua produção de pelotas no Espírito Santo. E anuncia que, além de sua oitava usina de pelotização em Tubarão, agora ruma em direção ao sul do Estado, para implantar mais quatro usinas em Ubu, no município de Anchieta, divisa com Guarapari.
Feitas as contas, pois a empresa vai otimizar a produção das sete unidades existentes em Tubarão, é como se fossem nove usinas na Grande Vitória (produção de 39 milhões de toneladas de pelotas de ferro por ano). E, ainda contando, a CVRD que é sócia igualitária na Samarco Mineração - que já constrói sua terceira usina em Ubu - terá sete plantas de pelotização no sul do Espírito Santo.
Como no provérbio, "cá e lá más fadas há". Cá, na Grande Vitória, o custo da poluição para a população já foi apontado: R$ 100,00, por ano por pessoa. Ao longo das operações de suas usinas, a CVRD e as siderúrgicas de Tubarão (CST) e Belgo, atuais Arcelor Brasil, multinacional francesa, provocaram doenças que exigiram da população e dos governos o investimento de R$ 3,7 a R$ 4,4 bilhões para tratamento de saúde.
Os poluentes provocam as mais diferentes doenças na população da Grande Vitória. Entre elas, vários tipos de câncer, doenças alérgicas e respiratórias. Provocam ainda queda de imunidade às doenças. As empresas lançam, só no ar, 264 toneladas/dia (96.360 toneladas/ano) de poluentes.
Lá, quero dizer, em Ubu, o que ocorrerá?
Pode-se prever os mesmos impactos, sobre os moradores e sobre o meio ambiente. Ou, traduzindo: na fase de implantação, geração de empregos. Consolidadas as obras civis, desemprego, crescente favelização, aumento da violência!
E, depois, poluição. Sobre o meio ambiente. Sobre os moradores. E doenças!
Está pois, mantido o modelo de desenvolvimento do governo estadual, que investe pesado nas grandes corporações.
Na edição desta quinta-feira (22) o Fórum Permanente de Defesa de Meaípe lembra que o que gera emprego, mesmo, além de renda para os capixabas, são as pequenas e médias empresas. Empresas locais, que têm aqui suas sedes e reaplicam seus lucros. As corporações têm suas sedes fora do Estado e do País, e para lá mandam seus dividendos.
Os capixabas ficam a respirar e a comer pó.
Os capixabas devem reagir e cobrar uma nova visão de desenvolvimento dos políticos: é preciso que haja desenvolvimento sustentável; geração de renda para o povo da terra; é preciso que o ambiente continue (ou volte a ser) saudável ...
Está passando da hora de os capixabas se manifestarem para valer!
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