Vitória (ES), edição de 22 de dezembro de 2005

Aumento de verbas esquenta clima
na sessão extra da Assembléia



Renata Oliveira
Foto capa: Carlito Medeiros


A sessão extraordinária realizada na manhã desta quinta-feira (22) na Assembléia começou tranqüila. Com três projetos em pauta, os deputados usavam o tempo na tribuna ora para se defender, ora para criticar o projeto que prevê aumento de verbas para deputados. Mas com o decorrer da sessão o clima foi esquentando e os deputados partiram para provocações mais duras.

O deputado Sérgio Borges (PMDB), que vem sendo considerado o líder do movimento que pede aumento de verbas, foi duas vezes à tribuna. Disse que o projeto não prevê jetom e nem aumento de proventos para os deputados. Lembrou que a Câmara Federal recebe todos esses "penduricalhos" e está recebendo pelas sessões em dezembro.

Ele voltou a artilharia contra a administração federal do PT, lembrando os casos de transporte de dólares na cueca de um assessor parlamentar e em caixas de uísque em avião de carreira.

Borges também criticou a atitude das Executivas do PSDB, PTB e PDT em fechar questão, prometendo punir os membros de suas bancadas que votarem a favor do projeto de perda da legenda na eleição do ano que vem. "Esses partidos não podem fechar questão em uma reivindicação justa e constitucional. Mesmo porque em Brasília eles recebem esses subsídios. Estou falando pelo PMDB", disse.

Borges foi apoiado pelos deputados Zé Ramos e José Tasso, do PFL. Ramos insinuou uma certa pressão sobre o presidente da Casa, César Colnago, e deixou bem claro que os deputados votarão as outras matérias, mas que não abrirão mão do projeto de lei protocolado por Sérgio Borges e assinado por outros 15 deputados.

O momento mais tenso da sessão, porém, foi durante a fala do deputado José Tasso. Ele disse que os deputados "não estão vivendo com dignidade" e que a imprensa e a oposição são hipócritas ao criticá-los pelo pedido de aumento de verbas.

O deputado criticou duramente a posição do PT na presidência da Assembléia, dizendo que o deputado Cláudio Vereza foi colocado na no cargo pelo governador Paulo Hartung. Disse também que o PT o afastou da Assembléia por três meses para macular sua honra.

"Eles não têm moral. Aqueles que pregam a moralidade escondem a verdade atrás do biombo da imoralidade", disparou.

Ao fim do discurso do deputado José Tasso, a bancada do PT reagiu às acusações. Primeiro o deputado Cláudio Vereza disse que desta vez Tasso havia exagerado. "Sempre o tratei com respeito. Trate-me com respeito o senhor também. Vá se explicar à Corregedoria, depois o senhor vem falar comigo", disse.

O deputado Carlos Casteglione foi ainda mais incisivo. "O senhor vem falar que nós maculamos a sua honra. Logo o senhor que foi líder do governo Zé Inácio, foi da turma de Gratz".

E o clima não deverá ficar mais brando na sessão desta tarde. Em pauta o Orçamento 2006 e a votação dos regimes de urgência do abono para os servidores da Casa, do projeto de aumento de subsídios para os deputados e a questão de ordem do deputado Cláudio Vereza pedindo a retirada desta matéria da pauta.