Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Renovar não é apenas uma questão de números
Uma aposta na verdadeira
renovação de práticas e valores





Cristina Moura


"Quem estiver vencendo no momento sempre parecerá invencível." (George Orwell)


O eleitor deve estar mais criterioso, depois de se deparar com tantas denúncias. Para a deputada estadual Janete de Sá (PSB), o caminho é este: estabelecer critérios, pensar com rigor em quem escolher para a representação política em 2006.

Nesta entrevista, a deputada, com história de luta pela esquerda, especialmente no Sindicato dos Ferroviários (Sindfer), desabafou, contou alguns dissabores na sua carreira parlamentar, sobretudo com a gestão do PT na Mesa Diretora da Casa. Apesar disso, acredita que o ato de desistir seria o oposto da coragem. Quer tentar mais um mandato.

O governador Paulo Hartung... uma incógnita. Bem ao contrário da maioria dos entrevistados de Século Diário até o momento, Janete não está tão certa que Hartung seja candidato à reeleição. Talvez ele esteja experimentando algo semelhante ao senador Gerson Camata (PMDB) e talvez esteja mais perto de uma disputa para o Senado.

Mas, para este posto o PSB já tem um nome: o do deputado federal Renato Casagrande. Janete faz seu papel de aliada, elogia o deputado e dá seu recado para os companheiros de parlamento. Diz que as práticas não estão muito diferentes daquelas do passado, que fizeram o Espírito Santo conhecido nacionalmente. A população quer outra renovação na Casa.

Século Diário: - Qual a sua avaliação sobre o PSB neste momento de construção de candidaturas, que antecede as eleições de 2006?

  
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Janete: - Eu considero que está numa performance relativamente boa, em decorrência dos escândalos envolvendo o Partido dos Trabalhadores, um partido caracterizado como de esquerda, o partido da moralidade.... Acabou surgindo como uma alternativa o PSB e, nesse sentido, vieram para o PSB quadros importantes, alguns deles pertencentes ao PT, que foi o meu caso, mas que não foi dessa época, foi por volta de 1996... Esse cenário proporcionou o crescimento do PSB, que já vinha acontecendo nos últimos anos. Basta lembrar que fizemos um número expressivo de prefeitos, aqui no nosso caso, no Espírito Santo, um número significativo de vice-prefeitos... Nós estamos nas vice-prefeituras dos principais municípios, como no caso de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra, Aracruz. Fizemos um número expressivo de vereadores. Então, eu considero que nós estamos bem preparados para as eleições. Conseguimos aglutinar, até mesmo pela performance que apresentamos no plenário, conseguimos aglutinar um número significativo de adeptos.

- A senhora acredita que o governador Paulo Hartung seja candidato à reeleição ou ao Senado?

- Não sei, é uma incógnita. A princípio, pela movimentação do governador, a gente tem uma visão que poderia ser para governador do Estado. Agora, se o governador, se ele estiver, e me parece que ele está com uma característica muito próxima do senador Camata (PMDB) quando ele foi governador, que fez obras significativas, fez muitas estradas, abriu as estradas no campo, melhorou o escoamento que havia da produção, principalmente da produção rural, já que a maioria das estradas era de chão... E depois de Camata não houve recuperação dessas estradas. Muitas delas continuavam no chão batido, e outras foram se esburacando, foram se deteriorando e Camata ficou na história do nosso Estado como um governador altamente democrático e que levou o desenvolvimento para o interior do Estado. Se o governador Paulo Hartung se mantiver nessa característica, no meu entendimento ele é candidato ao Senado porque, como Camata... Camata foi uma vez e marcou o nome dele como governador na história do Estado do Espírito Santo. Acredito que o governador Paulo Hartung também possa desejar esse mesmo intento, tendo em vista que volta para a sua origem, que foi o PMDB. E acredito que se seguir nesse caminho, a tendência é ele ir para o Senado, mas também acredito que tanto no Senado como para governador do Estado o governador Paulo Hartung, hoje, tem grandes chances de reeleição.

- Caso ele opte pela reeleição, o PSB embarca junto...

  
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- O PSB não tem discutido essa questão. Nós fazemos parte da base aliada do governo, a nossa característica de coligação nem sempre inclui o PMDB. A nossa coligação é partidária, não é com base em pessoas. Então eu não posso assegurar porque isso vai precisar de uma avaliação partidária. Hoje, o que posso dizer é que o partido está na base aliada do governo, dá sustentação a esse governo, estamos nessa administração, estamos trabalhando juntos na Assembléia Legislativa, no meu caso como deputada estadual, na Câmara Federal com Renato Casagrande. Neste momento, este é o cenário. Agora, essa questão de com quem o PSB vai estar coligando nas próximas eleições, no que se refere a governo do Estado, isso vai depender muito de muita discussão interna, no partido... discussão com os outros partidos... discussão com os aliados históricos... Isso vai depender de aprofundar mais esse debate.

- Para o Senado, o partido já tem o nome do deputado federal Renato Casagrande...

- Para o Senado, o partido tem definido que nós vamos estar investindo no nome do deputado Renato Casagrande. O deputado Renato Casagrande se consolidou como um parlamentar atuante, um parlamentar de expressão no cenário nacional. Hoje a gente consegue ver que não é por conta de CPI's ou de algum evento pontual que Renato tem se destacado. É pela sua atuação, enquanto um parlamentar que realmente está preocupado com diversos segmentos, diversos setores da nossa sociedade. E, em decorrência disso ele tem, cada vez mais, pautado a sua ação em estar visualizando os graves problemas que afligem a nossa sociedade. Então, nesse sentido eu acredito que o deputado Renato Casagrande ampliou muito com o mandato dele a possibilidade de votos, e hoje ele é uma pessoa, um político extremamente credenciado para disputar com muita segurança essa vaga para o Senado. Ele tem o apoio total do partido. Não só o apoio como o empenho e como o trabalho do partido nesse caminho.