As coligações e a lei da conveniência





Rogério Medeiros


A eleição para deputado federal será a mais difícil de todas. Tanto que os partidos conversam muito, mas definição, que é bom, nada ainda. Há muitos ensaios de coligações, e só. Tudo é motivo para retardamentos. Mas em política prevalece sempre a lei da conveniência. E é uma eleição que tem muitas armadilhas pela frente e é necessário cuidar delas em primeiro lugar.

Um Ricardo Ferraço é uma. Coligar com o partido dele é entrar na disputa com menos uma vaga. É prejuízo para o partido que coligar com o dele. Essa situação do Ferraço também ocorre em outros partidos. É necessário também evitar coligações que têm a Suely Vidigal, do PDT; a Rita Camata e o Lelo Coimbra, do PMDB; o Nilton Baiano, do PP.

Pela lei da conveniência, as coligações que podem sair são estas: o PP, de Nilton Baiano, com o PL, do Neucimar Fraga (fariam dois deputados federais); o PMDB, da Rita Camata, somaria com o PTB, do deputado Marcus Vicente, e também deseja coligar com o PSB, do deputado Renato Casagrande, e o PSC e o PMN (fariam três deputados). O PSC e PMN também estão sendo desejados pela coligação PP-PL.

O PSDB, de Ricardo Ferraço, coliga com o PFL, do chefe da Casa Cívil, Sérgio Aboudib, e faz dois deputados. O PDT, se coligar com o PPS, do vereador de Vitória Luciano Rezende, também pode fazer dois. Sobra uma vaga para o PT, que deve, pelas circunstâncias da disputa, não coligar com ninguém.

Feitas as contas finais, para 10 vagas teríamos a coligação encabeçada pelo PMDB ficando com três vagas, o PP-PL com duas, PSDB-PFL com duas também, PDT-PPS com duas, e PT com uma. Onde pode ter mudança? Subir uma vaga a mais para o PMDB e descer uma vaga para a coligação PDT-PPS, acidente que também está previsto para PP e PL. Ou então. mantendo-se três vagas para o PMDB, a outra, que seria dele também, circular em forma de sobra de legenda para PSDB e PFL.

É esse quadro que está pitando aí. E os papa-votos continuam sendo Ricardo Ferraço, Rita Camata, Nilton Baiano, Suely Vidigal e Renato Casagrande. Mas Renato está cotado para ser candidato ao Senado. Evidente que também a verticalização diz respeito a essa eleição. Mantida, ela bate com esse quadro que está ai. Caindo, haverá alterações. Mas altera pouco. Não o suficiente para revirá-la. Portanto, pelo visto, eleição para deputado federal vai dar panos para manga.

Fragmentos
1 - Deficiência de imaginação, erro de cálculo, subestimação de opinião pública são fatores presentes na medida proposta pelos 16 deputados estaduais no restabelecimento do auxílio-paletó e dos jetons. A decisão da Justiça de acabar com qualquer forma de reajuste de proventos na Assembléia deixou os deputados proponentes muito mal. Não levaram o aumento e ainda vão ficar com os efeitos da rejeição que a proposta causou no público.

2 - Também na prática significa que eles não vão contar com a ajuda financeira necessária para abastecer suas campanhas eleitorais e ainda vão perder votos. Principalmente os deputados que vêm da legislatura passada. Estes vão pagar um preço mais alto. Ao mesmo tempo, vai sobrar tarefa para os que não subscreveram a proposta. Sobretudo, explicar o silêncio de cada um diante da situação. Efetivamente pecaram pelo lado das afinidades eletivas.

3 - Os beneficiados do episódio foram os deputados Cláudio Vereza e Carlos Casteglone, do PT, e Brice Bragato, do PSOL, principalmente eles, que se posicionaram contra desde o inicio. Com contundência e com medidas concretas para evitar o auxílio-paletó e o jetom. Esses estão com carta de recomendação para o eleitorado.