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Foto: Divulgação
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"Um documentário mentiroso, sensacionalista e mau caráter!", é assim que se anuncia o curta-metragem do paulista André Francioli - e quem somos nós para discordar? Filho legítimo (ainda que com apelo irresistivelmente bastardo) do Cinema Marginal das décadas de 60/70, "Veja & Ouça..." parte da chegada da bailarina italiana Maria Baderna ao Brasil para desfiar seu repertório exasperado de ataques à mídia estabelecida, às forças de repressão, aos rituais religiosos, ao culto à celebridade, ao mercado insano de direitos autorais, e atirando para todos os lados, Francioli acaba acertando no alvo do exercício pleno (=visceral) do fazer cinematográfico.
As encenações dos atores são jogadas no meio da praça pública, verdadeiras intervenções nos espaços ocupados pelo trânsito de uma população que, diante do cinema, pára, observa, interage, toma partido do filme, se integra e se separa dele sem cerimônia ou ressentimentos. É, aliás, numa relação direta com aquele que é aparentemente exterior ao filme (o figurante involuntário e o espectador voluntário) que "Veja & Ouça..." aposta: provocar reações até o limite da (in)sanidade, frustrar expectativas, levantar outras novas, acomodar dentro do que é normalmente visto imagens que nunca são mostradas. Sangue, muito sangue, tinta verde, tiros, briga de mulher, saudações nazistas: não é bem uma questão de "vale tudo", é mais um "veja como isso vale", "veja como isso se realiza enquanto cinema". E "Veja & Ouça..." é, antes de tudo, um filme sobre o próprio cinema - como eram os filmes marginais Julio Bressane, Andréa Tonacci, Ozualdo Candeias, Carlos Reichenbach e Rogério Sganzerla, a quem o filme é dedicado, não só nos letreiros finais mas, sobretudo, na utilização do mesmo artifício da narração radiofônica tão marcante no absoluto "O Bandido da Luz Vermelha". E no que depender de Francioli, o legado de Sganzerla e cia. estará em boas mãos.
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