"Só se guarda segredo
daquilo que não se sabe."
(Tancredo Neves)
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Foto: Ricardo Medeiros
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Uma das figuras mais próximas do governador Paulo Hartung, em termos administrativos. Ponderado, criterioso com as palavras, analítico sem que seja tão instigado. Será que é o cofre dos segredos da administração estadual? Bem, pode até nem ser, mas o cargo inspira um poço de mistérios e responsabilidades, à maneira dos conselheiros dos grandes reis no curso da história das civilizações.
Sérgio Aboudib Ferreira Pinto, ou simplesmente Sérgio Aboudib, secretário-chefe da Casa Civil do governo Paulo Hartung, faz sua tarefa de conselheiro, escudeiro ou representante de uma administração pública numa situação estável para ele, em se tratando de opções pela oposição.
Segundo Aboudib, essa estabilidade é fruto do carinho e da manifestação de apoio popular ao atual governo que ele considera "extraordinário". Para o secretário de Estado, também presidente do PFL, não há oposição com musculatura suficiente para disputar com Hartung e conseguir a vitória.
E mais: caso a opção do governador seja o Senado, o PFL abdicará de um nome importante para os quadros da legenda, o do ex-ministro Élcio Álvares, que, inclusive, já anunciou uma possível renúncia em tal circunstância. Para Aboudib, entretanto, o quadro mais provável coloca Hartung como candidato à reeleição. Nesse clima positivo e, ao que parece, respirando uma certa tranqüilidade para 2006, Aboudib registra suas opiniões nesta entrevista que abre o novo ano.
Século Diário: - Como é que o senhor está avaliando esse período de construção de nomes para a disputa do ano que vem?
Sérgio Aboudib: - Olha, eu acho que nós vamos viver um momento especial no Estado do Espírito Santo e no Brasil. A crise ocorrida em Brasília, de certa forma, desmistificou o que alguns grupos carregavam, vamos dizer assim... Eram os únicos éticos, eram os únicos decentes, os únicos responsáveis, os únicos 'tudo'. E isso acabou no Brasil. Eu acho que é o primeiro grande dado que nós temos no processo eleitoral. Está absolutamente provado que todas as agremiações partidárias têm problemas e devem tratar dos seus problemas. Então, eu acho que você vem num momento em que o próximo pleito eleitoral no Brasil vai ser caracterizado pelo fim daquele messianismo, de achar que uma única pessoa é capaz de resolver todos os problemas. E que só com um trabalho duro, só com um trabalho persistente na democracia, onde você tem que ouvir os diversos poderes e costurar bastante, é que você consegue ter algum tipo de sucesso. Então, aquela história de 'deixa comigo que eu resolvo', isso, na minha opinião, está se encerrando no Brasil. Acho que o Estado do Espírito Santo vive um momento particular com o governo Paulo Hartung. O governador Paulo Hartung tem feito um trabalho, na minha opinião, extraordinário, de recuperação do Estado, e mais do que isso: envolvendo, particularmente, todas as forças políticas no Estado, que se propõem a ajudar. Porque algumas, evidentemente, não estão nesse espectro aí de aliança. Então, eu acho que, se o governador desejar ser candidato à reeleição, terá o apoio da maioria dos capixabas, terá o apoio do meu partido, com certeza, que é o PFL. E aí o nosso partido tem o candidato à majoritária, que é o nosso candidato ao Senado, o ex-governador Élcio Álvares, que é um belo quadro. Acho que Élcio já provou na vida pública a sua competência porque num Estado pequeno como o Espírito Santo, com pouca representatividade política nacional, termos o Élcio, como nós tivemos, líder do governo, como foi o líder de Fernando Henrique, não é pouco. É uma coisa, eu acho, que é extremamente significativa. Élcio já foi ministro por duas oportunidades, já foi governador do Estado, senador e continua sendo um homem que não fez fortuna nem patrimônio em todos os cargos por que passou. Eu acho que é uma bela opção para o eleitorado capixaba. O próprio Élcio já disse que se o governador optar pelo Senado ele não será candidato. Mas, se o governador optar pela reeleição, que eu acho que é um quadro mais possível, nosso partido oferece o nome do senador Élcio para concorrer nas eleições majoritárias. Eu acho que deve haver uma renovação grande na Câmara Federal porque muitos puxadores de voto, políticos com expressão que não estão lá vão disputar a eleição para deputado federal... Com relação à Assembléia, é sempre uma incógnita. Tem muita gente que vai disputar a eleição, mas o nosso partido, no caso o PFL, nós imaginamos que faremos uma bancada, no mínimo, mantendo com os já existentes, podendo chegar a seis. Eu acho que fizemos uma chapa extremamente competitiva, uma que talvez seja uma das poucas chapas que podem concorrer sozinhas, sem precisar fazer coligação. E aí é um problema a gente abordar o assunto coligação, que até hoje essa coisa não está definida. Embora haja uma regra nacional dizendo que a um ano das eleições as regras têm que estar definidas, existe uma tentativa em Brasília de se acabar com a verticalização. É um método mais correto porque a verticalização não está de acordo com a história política do Brasil, que é muito mais de partidos regionais do que de partidos nacionais.
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Foto: Ricardo Medeiros
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Então, em suma, uma regra como a verticalização é absolutamente necessária porque você tem um quadro definido para que você saiba quais as coligações possíveis que você possa fazer. Eu acho que você tem aí uma série de partidos que, se mantida a verticalização, e dependendo do que acontecer em Brasília, terão muita dificuldade de disputar eleições e correm o risco de não conseguirem alcançar o coeficiente eleitoral, que é chamado 'furar legenda'. O PFL não corre esse risco na candidatura para deputado estadual. Nós não temos candidatura para federal. Mas, para estadual, nós talvez sejamos um dos poucos partidos que tenham a chapa própria, uma chapa que consegue disputar eleição. Agora, dependendo do que acontecer em Brasília, com relação à verticalização, aí sim, você abre um leque de possibilidades e coligações. Mas essa regra não está definida. O que a gente tem claro é que nós temos uma chapa competitiva para estadual, nós temos uma candidatura à majoritária com o doutor Élcio, e apoiamos o governo Paulo Hartung.