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  Vitória (ES), edição de 11 de fevereiro de 2005
 
Rei dissecado criticamente



Vítor Lopes


  
Foto: Divulgação
  
O mais novo livro do jornalista analisa a obra de RC

De comportamentos tão distintos e controversos, o cantor Roberto Carlos vira um sinônimo do Brasil. É capaz de rejeitar o passado num momento e, posteriormente, voltar a fazer uso do mesmo. Assim como Roberto Carlos, o amado e odiado crítico musical Pedro Alexandre Sanches faz uma extensa análise da vida e obra de um dos reis do País em seu novo livro.

Pedro Alexandre Sanches mergulhou por três anos na vida dos principais artistas da Jovem Guarda para fazer um extenso e detalhado estudo sobre o movimento e sua representatividade para o Brasil. A discografia de Erasmo Carlos, Wanderléa e principalmente Roberto Carlos é dissecada em mínimos detalhes pelo jornalista.

Mas esse não é o principal fruto do livro "Como dois e dois são cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)", (Boitempo, 416 páginas, R$68). Ao lado de Pelé, Roberto Carlos é um dos únicos dois reis do Brasil. Por isso mesmo, os passos dele são seguidos pela mídia e pelos fãs de modo implacável. Ícone nacional.

O principal produto do livro de Pedro Alexandre Sanches é a análise que o autor faz da obra do cantor e sua relação com a política - principalmente por causa da controversa postura apolítica do Rei -, a Rede Globo, o regime militar, a igreja católica e os adeptos da MPB tradicional.

  
Foto: Divulgação
  
O autor Pedro Alexandre escreve para a Folha de São Paulo
O jornalista da Folha de São Paulo vai do presidente Jânio Quadros a Luis Inácio Lula da Silva para descrever os distintos momentos artísticos da vida dos representantes da Jovem Guarda.

Para apresentar as suas apaixonadas idéias, Pedro Alexandre Sanches dividiu o livro em três distintas linhas. Na primeira, faz uma história linear de Roberto Carlos e sua obra. Na segunda, apresenta o encontro do Rei com Erasmo Carlos e Wanderléa de forma romanceada - RC é Dom Quixote, EC é Sancho Pança e Wanderléa é Dulcinéia). Na terceira, analisa os caminhos de artistas que eram anticarlistas, como Belchior, Marcos Valle, Raul Seixas, Tim Maia, Rita Lee e Wilson Simonal.

"Como dois e dois são cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" apresenta a já conhecida linguagem prolixa, irônica apimentada - e por isso mesmo divertida - de Pedro Alexandre Sanches, como pode ser observada também no primeiro livro do autor, "Tropicalismo - a decadência bonita do samba", em que analisa a obra de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben (Jor), Paulinho da Viola e Chico Buarque.

Pedro Alexandre Sanches nasceu em Maringá (PR), no "inexistente ano de 1968" e é formado em Jornalismo pela ECA/USP. Escreve desde 1994 na Folha de São Paulo. Seu primeiro livro, "Tropicalismo - a decadência bonita do samba", foi lançado em 2000.

"Traquinagens à parte, quero defender aqui: Roberto Carlos é um dos mais intensos e completos sinônimos de Brasil que já existiram, quase assim um mito do nosso folclore. Nutrido do misto de amor e resistência (repulsa?) que todos sentimos por ele, Roberto poderia se chamara Brasil" (trecho do livro de Pedro Alexandre Sanches).