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  Vitória (ES), edição de 11 de fevereiro de 2005
 
Mais uma chance para Scorsese



Paulo Rogério


  
Foto: Divulgação
  

Tudo bem. Não é como a obra de Charles Higman com detalhes escabrosos - que com certeza chamariam muito mais atenção para o filme se fossem todos transportados para as telonas. Será que desta vez o diretor Martin Scorsese vai ressurgir após o fracasso de "Gangues de Nova York"?

Howard Hughes (de Leonardo DiCaprio), personagem central, ficou milionário já aos 18 anos, devido à herança proveniente do "ouro negro" do Texas. Pouco depois ele se mudou para Los Angeles, onde passou a investir na indústria do cinema.

"O Aviador", que chega neste final de semana às salas de projeção do Brasil (perseguido por "O aviador - A vida Secreta de Howard Hughes/ Charles Higman, nas livrarias"), obteve 11 indicações ao Oscar - há quem diga que esta poderá ser uma chance da academia se redimir com Scorsese. Ele nunca ganhou uma das estatuetas. Somada à indicação recebida neste ano, ele já entrou na disputa cinco vezes. Entre as indicações, há ainda de melhor filme e melhor ator.

Nenhuma das três principais indicações a produção estão sob suspeitas. Apesar de cansativo em alguns momentos, pelas quase três horas de fita, a história é capaz de reenvolver, com as idas e vindas de Howard do céu ao inferno.

Aliás, é notório perceber que, em nenhuma oportunidade, verdadeiras "feras hollywoodianas" (Ian Holm, Alec Baldwin, Alan Alda, Jonh Reilly e Jude Law) conseguem tirar os holofotes de DiCaprio numa mesma cena. O páreo é de igual para igual. Felizmente para os apreciadores desta indústria do entretenimento a boa notícia é que o ator amadureceu mais um pouco, e se sobressai na produção.

Neurótico e Visionário

Por se tratar de um longa-metragem que se preocupa em explorar a parte íntima e psicológica do personagem principal (nos mais conturbados períodos de sua vida) logo depois de uma rápida passagem pela infância, a história salta para o set de "Anjos do Inferno". O filme mais caro da época de ouro do cinema norte-americano, produzido pelo obsessivo aviador: U$ 4 milhões gastos em três anos - praticamente nada comparado aos U$ 100 milhões investido na produção atual.

  
Foto: Divulgação
  
Howard é um herdeiro do petróleo, excêntrico, cheio de manias, determinado e visionário. Entre seus anjos da guarda e cúmplices de suas loucas investidas estão o contador Noah Dietrich (John Reilly), o professor e meteorologista Fitz (Ian Holm) e o projetista de aviões Odie (Matt Ross).

Na companhia dessa turma, o milionário chega a gastar cerca de U$ 60 milhões com uma frota com a qual ele pretende invadir o mercado internacional de aeronaves para passageiros e para a guerra - 13 milhões somente no monumental protótipo Hércules, capaz de transportar não somente centenas de soldados, como tanques, jipes, inúmeras armas e outros aparatos.

Além de equilibrar os problemas da indústria cinematográfica com os projetos do hobby aéreo, o personagem de DiCaprio ainda encontra tempo para uma "azaração" com inúmeras mulheres - no filme, focado nas atrizes Katharine Hepburn (de Cate Blanchett) e Ava Gardner (Kate Beckinsale).

Nascido em 1905 em Houston, estado do Texas, Howard Hughes morreu aos 70 anos. Ele começou e terminou a vida sozinho. No final dos anos 60, chegou a ser considerado o homem mais rico do mundo e tinha grande influência política nos Estados Unidos. O homem ficou marcado como uma espécie de figura lendária, por sua criatividade e por toda inovação.

Acompanhe

As indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Alan Alda), Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Roteiro Original.

Ganhou três Globos de Ouro nas seguintes categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Ator - Drama (Leonardo DiCaprio) e Melhor Trilha Sonora.

As outras produções em que Scorsese foi indicado são: "Touro Indomável" (1980), "A Última Tentação de Cristo" (1988), "Os Bons Companheiros" (1990) e "Gangues de Nova York" (2002).