Transformação Invisível





Caetano Roque da Silva


As pessoas que acompanham o movimento sindical e trabalham com a história ficam perplexas com as mudanças ocorridas no comportamento dos trabalhadores com o sindicato. Até os anos 40, os trabalhadores organizavam-se livremente e buscavam seus direitos com mais liberdade, enfrentando o populismo corporativista dos governos copiados de Mussolini na Itália.

A partir daí, a repressão do Estado foi intensificada em cima dos sindicalistas, asilando trabalhadores envolvidos no movimento e muitas vezes os assassinando. Dirigentes sindicais desapareceram sem deixar pistas. Criou-se então a cultura do medo com os empresários intensificando mais ainda a pressão em cima do sindicato e dos dirigentes nas suas bases, com o desemprego.

Os trabalhadores começaram a ter medo até porque a maioria dos dirigentes sindicais terminavam na miséria. Então os trabalhadores tinham medo porque se perdessem o mandato no sindicato, não teriam mais condições dignas de vida. O último exemplo é Joaquinzão, de São Paulo, um dos mais famoso pelegos do movimento sindical.

Este processo prorrogou até os meados da década de 70. Daí em diante, houve uma inversão. Os dirigentes sindicais perpetuam nos sindicatos, valendo-se da desculpa anterior, referente à repressão. Mas o que verificamos é que todos os dirigentes sindicais estão hoje com valiosos patrimônios, desfilando de carros zero, todos os anos. Assim, os trabalhadores não mais procuram os sindicatos para participar de sua diretoria, já que os vêem como corruptos.

A esperança é que com o novo modelo sindical, eliminando a antiga estrutura, as comissões sindicais de empresa ofereçam uma reversão nesse processo transparente, com participação efetiva dos trabalhadores.

Só assim será possível mudar o quadro atual de obscuridade e oferecer uma nova cara aos sindicatos.