O secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, está tergiversando sobre o óbvio quando apresenta explicações para o incêndio de dois ônibus do Transcol, nesta terça-feira, em Cariacica. Em entrevista recente, Rodney fez o que se esperava dele diante do inequívoco e retumbante fracasso da política de segurança do governo do Estado - simplesmente atribuiu-se méritos que só ele vê. Na versão delirante do secretário, os ônibus voltaram a ser incendiados como revide dos chefes do tráfico de drogas às operações realizadas pela Polícia, às vesperas do carnaval.
Foi, na verdade, uma evidência de uma ação articulada da bandidagem, do controle dos principais chefes têm sobre o sistema penitenciário e do seu poder incontestável, que reviveu o medo que a todos acossou alguns meses atrás, quando esses mesmos criminosos comandaram de suas celas um espetáculo de terror e medo na Grande Vitória, que mostrou a fragilidade do governo do Estado.
Vem agora o secretário de Segurança, após a nova demonstração de força do tráfico, tentar esconder o sol com a peneira. Subestima a inteligência da opinião pública e acredita que, com seu palavrório, está resolvida a questão. A estratégia do secretário, em face dos novos incêndios de ônibus, é quase oligofrênica e não vai cumprir os objetivos a que se destina, porque todos sabem que o caos na segurança pública permanece intacto. Se mudou alguma coisa, mudou para pior.
Rodney tenta minimizar os recentes incêndios simplesmente para desviar a atenção da mídia nacional que, da outra vez, deu ampla cobertura aos atos criminosos da bandidagem, ao medo dos capixabas e à impotência do governo do Estado, a ponto de se fazer necessária a presença de tropas federais nas ruas da Grande Vitória, para garantir a segurança da população. E certamente o faz com a orientação do seu chefe, o governador Paulo Hartung, pois é mais do que óbvio não ser do seu interesse escancarar para a mídia, tanto a estadual como a nacional, a incompetência do governo para lidar com os graves problemas da segurança pública no Estado.
Um governo que, em vez de trabalhar, só se preocupa em ocupar espaços na mídia para construir uma imagem de sucesso, não poderia agir de outra forma: o que é negativo tem que ser varrido, sempre que possível, para debaixo do tapete.
|