Embora tenha saído chamuscado nas eleições para a presidência da Assembléia, o governador tomou de assalto, no bom sentido, ou melhor, o termo aplicado literalmente dentro do linguajar político, a Assembléia. É dele até, pelo menos, 2006, quando acaba essa legislatura.
À parte portanto da questão do escrúpulo político, o governador saiu mais uma vez vitorioso num episódio de ordem política. E dessa vez, ele não colocou na presidência da Casa um ingênuo como o deputado Cláudio Vereza (PT). Botou um político da sua escola, que trai quando tem que trair, que bate quando tem que bater. Do tipo os meios justificam os fins e por dentro da proposta de manter-se dentro do projeto hartunguete de 20 anos de poder no Espírito Santo. Deputado César Colnago.
E vai ter a sua tarefa facilitada porque os seus companheiros de Mesa Diretora, que decidem junto com ele, o primeiro-secretário, deputado Marcelo Santos(PTB), e o segundo-secretário, deputado Reginaldo Almeida(PSC), não agüentam pressão. São presas fáceis do sistema Paulo Hartung, a ponto do deputado Marcelo Santos, sob impacto do desejo do governador em fazer o deputado César Colnago presidente da Assembléia, ter deixado de ser presidente da Casa, como seria se mantivesse sua candidatura.
O governador realmente perdeu muita luz na sua chamada austeridade política. Mariazinha Vellozo Lucas o detonou bem, mas ele tomou a Assembléia com um dos seus melhores quadros, senão o melhor, de seu grupo político. A Assembléia é finalmente chão seu. Imagine esse controle absoluto da Assembléia num período eleitoral?
E o governador mostrou que quando for necessário ele sacrifica até conceitos. Nessa eleição para a presidência da Assembléia, ele realmente foi ousado demais. Enfiou goela abaixo dos deputados um nome insuportável à Casa.
Insuportável no caso lembra até a Nazaré da novela Senhora do Destino. E os deputados engoliram o veneno na maior sabendo que vão passar por um período de raro perigo. Com Colnago na presidência da Assembléia, eles viraram dependentes políticos do sistema Paulo Hartung.
Fragmentos
1 - Não vai acabar bem a relação da secretária Rita Camata com o secretário Ricardo Ferraço. Candidatos a deputado federal dentro do governo Paulo Hartung, o Ferraço está invadindo antigas áreas eleitorais da Rita, principalmente no norte do Estado. A Rita leva desvantagem por não ser como o Ferraço hartunguete puro sangue. A disputa entre os dois tem tudo portanto para acabar mal.
2 - O marido senador Gerson Camata (PMDB) é quem já está encaminhando a candidatura da mulher. Tem procurado lideranças do interior para fechar apoio a Rita. A meta do senador é eleger a mulher para a Câmara Federal a qualquer custo.
3 - Nos meios publicitários, ou seja, junto as empresas que giram em torno da conta do governo, a suspeita de que a vinda de Maria Teresa Monteiro para o lugar de Tião Barbosa na Comunicação do governo, está ligada a hipótese do governador entrar no PMDB para candidatar-se a vice-presidente na chapa de Lula. Ela se insere bem na imprensa nacional enquanto que o Tião é um simples desconhecido e ainda por cima, no geral, foi muito mal à frente da comunicação do governo.
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