Ainda se caça no ES!





Ubervalter Coimbra


Animais criticamente ameaçados de desaparecer da natureza continuam sendo criminosamente caçados no Espírito Santo. Os criminosos invadem até mesmo Reservas Biológicas e Parques Nacionais para matar. Nos últimos dias, os predadores entraram na Reserva Florestal da Vale do Rio Doce e mataram oito macucos.

No grupo, pasme o leitor, até uma mulher: Claudete Santos Melo, que carregava os macucos mortos, José Carlos Correia Melo, que levava um sabiá (foi multado em R$ 500), e ainda Willian Ferreira Nascimento.

No Espírito Santo, o macuco praticamente só pode ser encontrado na natureza na Reserva Biológica de Sooretama e na Reserva Florestal da Vale do Rio Doce, que são unidas.

Trata-se de uma ave com 52 centímetros em média, com peso variando de 1200 a 1800 gramas. A ave apresenta a coloração do dorso parda azeitonada e ventre cinza-claro. A sua plumagem freqüentemente adquire a cor da terra local, por estar impregnada deste material. Alimenta-se de frutos caídos, folhas, sementes duras, e também de alguns pequenos moluscos.

Segundo os especialistas, a ave costuma andar em casais. Cada fêmea põe em média seis ovos, o que torna ainda mais vulnerável a espécie. É muito provável que os caçadores tenham mortos quatro casais.

Mesmo com a gravidade da morte de animais assim tão raros, os criminosos foram soltos no DPJ de Linhares. Pasme: foram soltos por não portarem nenhuma arma de caça quando foram presos pela Polícia Ambiental de São Mateus. Disseram que acharam os animais. Ora, o que faziam na Reserva? E ficariam com as armas em punho com a aproximação dos guardas da unidade?

Só se fossem muito bestas.

Como foram cândidos, para dizer o mínimo, os membros da Polícia Ambiental que não informaram ao delegado Carlos Cézar Silva - segundo versão deste - de que o macuco é uma ave severamente ameaçada de extinção. E o delegado, que simplesmente liberou os criminosos. Como autoridade policial, o delegado tem o dever de conhecer a Lei da Fauna Silvestre - nº 5.197/67, que classifica como crime o uso, perseguição, apanha de animais silvestres, caça profissional, comércio de espécies da fauna silvestre e produtos derivados de sua caça.

Dos policiais (Ambiental e Civil) seus comandantes (e chefes) têm de exigir mais atenção em relação a crimes de tamanho impacto no Meio Ambiente.

Do Ministério Público Estadual, se espera que denuncie os predadores à Justiça. E, desta, que cumpra o seu dever punindo exemplarmente os criminosos ambientais.

Chega de candura com os caçadores: prisão para eles!