Ocorrência Policial





Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Nesse final de semana meu condomínio foi agitado por um atropelamento que resultou na perda de uma jovem e preciosa vida. A ação conjunta da polícia, do corpo de bombeiros e dos paramédicos foi imediata pois, embora involuntária, a ocorrência resultou da falta de cuidado e da total irresponsabilidade do motorista.

Atropelamentos são ocorrências lamentáveis em qualquer tempo e lugar, mas se tornam ainda mais insidiosos se acontecem dentro de um tranqüilo conjunto residencial, que tem mãos de trânsito específicas e limites de velocidade atentamente controlados. Assim mesmo um acidente aconteceu e nunca se sabe se poderia ser sido evitado.

Para piorar ainda mais a situação, o motorista fugiu sem prestar socorro à vítima, como manda a lei e os princípios morais vigentes. Ninguém anotou a placa do carro, sabe-se apenas que era um Honda verde. O que pouco ajudou, embora a polícia, a ambulância e os bombeiros tenham chegado ao local do crime em menos de cinco minutos.

Presenciando o fato a mãe desmaiou, deixando três filhas pequenas sozinhas, aos gritos, na rua. Os vizinhos acorreram, sem saber se socorriam a mãe, as crianças, ou a vítima. Uma alma generosa levou as crianças para a casa dela, prometendo sorvete e chocolate para acalmá-las, enquanto a ambulância levava a mãe desacordada para o hospital.


Os bombeiros também não perderam tempo e levaram a vítima, que ainda respirava, para o hospital veterinário mais próximo, mas nada pôde ser feito. Dolly, a cachorrinha atropelada, faleceu no trajeto. Enquanto isso, os policiais faziam as diligências de praxe, tentando obter informações que pudessem identificar o atropelador.

Porque atropelar cachorro é um crime quase tão grave quanto atropelar gente e o culpado teria que enfrentar as garras da lei. Poderia ele alegar que a falta não foi sua, mas da dona da cachorrinha. O que fazia ela na rua? A irresponsável foi a dona. Talvez o animalzinho tenha saltado de seu colo e atravessado na frente do carro; em sendo muito pequeno, não foi visto.

Ou talvez um raio de sol tenha ofuscado a vista ao motorista, justo na hora em que… Muito poderia ser dito em sua defesa, um bom advogado conhece os corredores alternativos da lei, mas o motorista preferiu não correr riscos. O culpado (ou a culpada, nada se sabe) safou-se sem pagar pelo seu crime, deixando no ar uma pergunta - todo esse aparato pela morte de um cachorro?