Os cursos técnicos orgânicos das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) no Espírito Santo começam a funcionar na próxima segunda-feira (14). Foram abertas 115 vagas, em três escolas. Os alunos destes cursos serão incorporados ainda este ano ao processo de formação de agricultores orgânicos. O Estado ocupa o terceiro lugar no consumo por pessoa de agrotóxicos, e não há precisão de quanto o consumidor ingere destes venenos.
As EFAs são mantidas pelo Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes), que teve de vencer a burocracia do Estado para criar os cursos.
Com a publicação das resoluções do Conselho Estadual de Educação (CEE), as EFAs abriram inscrições para os cursos que começam a funcionar na segunda-feira (14). Foram ocupadas as 35 vagas da EFA de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, segundo informou a diretora Leonora Boone. O curso formará técnicos agrícolas orgânicos especializados em hortifruticultura. O funcionamento do curso foi autorizado pela resolução 985/2004 do CEE.
A EFA do Bley, em São Gabriel da Palha, foi autorizada a formar técnicos em Agropecuária pela resolução de número 978/2004. Formará especialistas em fruticultura agroecológica e administração de estabelecimento agrícola. Nesta sexta-feira (11), apenas três das 40 vagas não haviam sido preenchidas, segundo informou o diretor da escola, Ednaldo Freitas Ribeiro.
Pela resolução 1.079/2004 do CEE a EFA de Boa Esperança foi autorizada a formar técnicos em fruticultura e piscicultura. A escola abriu 40 vagas.
O processo de criação do cursos da EFA de Vinhático, no município de Montanha, para formação de técnico em fruticultura agroecológica e em criação de gado leiteiro, será analisado na próxima quarta-feira (16) pelo no CEE. Não houve quorum para a reunião do dia dois deste mês, que tinha o processo em pauta. O relator deu parecer favorável para criação do curso.
A EFA de Olivânia, em Anchieta, já ministra os cursos de fruticultura familiar e processador de agroindústria familiar. O Mepes também oferecerá curso técnico na EFA de Jaguaré, com habilitação em produção orgânica familiar. Os cursos técnicos têm duração de quatro anos.
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Pedagogia da Alternância, educação rural ideal
Os cursos das EFAs empregam a Pedagogia da Alternância, desenvolvida pelo Mepes. Na Pedagogia da Alternância, o aluno divide seu tempo e suas atividades entre a escola e sua casa. O modelo pedagógico é ideal para a área rural. Nas escolas é ensinada a agroecologia. Os alunos desenvolvem competência para agregar valor aos produtos agrícolas, o que facilita sua fixação no campo.
Diferentemente do que faz o governo do Estado e as prefeituras. Por comodidade, os governos estadual e municipal, com a conivência do governo federal, preferem alugar ônibus e vans (gerando lucro para uns poucos) e transportar para as cidades os alunos das séries finais do Ensino Fundamental e Médio. As vezes eles têm de percorrer dezenas de quilômetros, inclusive após as aulas noturnas.
Os alunos, nas escolas convencionais têm, então, contato com conteúdos dissociados de sua realidade, o que acaba gerando evasão do meio rural para as sedes da cidade. O modelo de educação aplicado pelos governos estadual e municipal joga dinheiro, muito dinheiro mesmo, fora.
Já os profissionais formados nas EFAs e que atuam na produção orgânica têm amplo mercado. Contribuem para aumentar a oferta de alimentos orgânicos, cuja demanda vem crescendo. Os consumidores fogem dos efeitos devastadores dos venenos agrícolas: por ano, 500 mil brasileiros são intoxicados por agrotóxicos, dos quais 10 mil morrem.
Os venenos provocam vários tipos de câncer, impotência sexual e frigidez, destrói o sistema imunológico da pessoa, provoca suicídios e deformações genéticas, entre muitas outras doenças.
Os maiores prejudicados são os produtores rurais que aplicam os agrotóxicos, muitos diariamente. Dos intoxicados por venenos agrícolas, cerca de 10% ficam definitivamente incapacitados para o trabalho, o que totaliza uma perda de 50 mil trabalhadores/ano no país. Segundo dados oficiais, o Brasil gasta, somente na compra de venenos agrícolas, R$ 10 bilhões por ano (exatos US$ 2.502.131, em 2001). O Espírito Santo é o terceiro estado do País no consumo por pessoa de agrotóxicos.
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(reportagem publicada em 21/01/2004)
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