Vitória (ES), edição de 11 de fevereiro de 2005
 
Mepes vence burocracia: cursos
técnicos orgânicos funcionam na 2ª



Ubervalter Coimbra


Os cursos técnicos orgânicos das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) no Espírito Santo começam a funcionar na próxima segunda-feira (14). Foram abertas 115 vagas, em três escolas. Os alunos destes cursos serão incorporados ainda este ano ao processo de formação de agricultores orgânicos. O Estado ocupa o terceiro lugar no consumo por pessoa de agrotóxicos, e não há precisão de quanto o consumidor ingere destes venenos.

As EFAs são mantidas pelo Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes), que teve de vencer a burocracia do Estado para criar os cursos.

Com a publicação das resoluções do Conselho Estadual de Educação (CEE), as EFAs abriram inscrições para os cursos que começam a funcionar na segunda-feira (14). Foram ocupadas as 35 vagas da EFA de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, segundo informou a diretora Leonora Boone. O curso formará técnicos agrícolas orgânicos especializados em hortifruticultura. O funcionamento do curso foi autorizado pela resolução 985/2004 do CEE.

A EFA do Bley, em São Gabriel da Palha, foi autorizada a formar técnicos em Agropecuária pela resolução de número 978/2004. Formará especialistas em fruticultura agroecológica e administração de estabelecimento agrícola. Nesta sexta-feira (11), apenas três das 40 vagas não haviam sido preenchidas, segundo informou o diretor da escola, Ednaldo Freitas Ribeiro.

Pela resolução 1.079/2004 do CEE a EFA de Boa Esperança foi autorizada a formar técnicos em fruticultura e piscicultura. A escola abriu 40 vagas.

O processo de criação do cursos da EFA de Vinhático, no município de Montanha, para formação de técnico em fruticultura agroecológica e em criação de gado leiteiro, será analisado na próxima quarta-feira (16) pelo no CEE. Não houve quorum para a reunião do dia dois deste mês, que tinha o processo em pauta. O relator deu parecer favorável para criação do curso.

A EFA de Olivânia, em Anchieta, já ministra os cursos de fruticultura familiar e processador de agroindústria familiar. O Mepes também oferecerá curso técnico na EFA de Jaguaré, com habilitação em produção orgânica familiar. Os cursos técnicos têm duração de quatro anos.

   
Pedagogia da Alternância, educação rural ideal

Os cursos das EFAs empregam a Pedagogia da Alternância, desenvolvida pelo Mepes. Na Pedagogia da Alternância, o aluno divide seu tempo e suas atividades entre a escola e sua casa. O modelo pedagógico é ideal para a área rural. Nas escolas é ensinada a agroecologia. Os alunos desenvolvem competência para agregar valor aos produtos agrícolas, o que facilita sua fixação no campo.

Diferentemente do que faz o governo do Estado e as prefeituras. Por comodidade, os governos estadual e municipal, com a conivência do governo federal, preferem alugar ônibus e vans (gerando lucro para uns poucos) e transportar para as cidades os alunos das séries finais do Ensino Fundamental e Médio. As vezes eles têm de percorrer dezenas de quilômetros, inclusive após as aulas noturnas.

Os alunos, nas escolas convencionais têm, então, contato com conteúdos dissociados de sua realidade, o que acaba gerando evasão do meio rural para as sedes da cidade. O modelo de educação aplicado pelos governos estadual e municipal joga dinheiro, muito dinheiro mesmo, fora.

Já os profissionais formados nas EFAs e que atuam na produção orgânica têm amplo mercado. Contribuem para aumentar a oferta de alimentos orgânicos, cuja demanda vem crescendo. Os consumidores fogem dos efeitos devastadores dos venenos agrícolas: por ano, 500 mil brasileiros são intoxicados por agrotóxicos, dos quais 10 mil morrem.

Os venenos provocam vários tipos de câncer, impotência sexual e frigidez, destrói o sistema imunológico da pessoa, provoca suicídios e deformações genéticas, entre muitas outras doenças.

Os maiores prejudicados são os produtores rurais que aplicam os agrotóxicos, muitos diariamente. Dos intoxicados por venenos agrícolas, cerca de 10% ficam definitivamente incapacitados para o trabalho, o que totaliza uma perda de 50 mil trabalhadores/ano no país. Segundo dados oficiais, o Brasil gasta, somente na compra de venenos agrícolas, R$ 10 bilhões por ano (exatos US$ 2.502.131, em 2001). O Espírito Santo é o terceiro estado do País no consumo por pessoa de agrotóxicos.

   


Leia mais:
  • Funcionamento dos cursos orgânicos do Mepes só depende da Sedu
    (reportagem publicada em 21/01/2004)


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