A Comunicação do Governo




Antônio Carlos Medeiros
é administrador e cientista político

A escolha da socióloga Maria Tereza Monteiro para a Superintendência de Comunicação Social do governo do Espírito Santo, pode tornar a área de comunicação mais abrangente, com novo enfoque.

Trata-se de uma boa escolha. Com sólida formação sociológica e larga experiência em pesquisas, principalmente qualitativas, Maria Tereza conhece bem a alma brasileira e o imaginário nacional. Neste contexto, tem uma percepção fina e profunda dos capixabas. Fez pesquisas no Espírito Santo.

Embora não seja especialista no assunto, entendo que a comunicação social precisa trabalhar a dimensão do governador, a dimensão do governo, e a dimensão do estado do Espírito Santo. Nesta primeira metade do governo Paulo Hartung, a comunicação trabalhou bem a dimensão do governador, mas foi limitada na dimensão do governo e deixou a desejar na dimensão do estado do Espírito Santo.

Segundo o governador Paulo Hartung, as mudanças promovidas agora em seu secretariado visam a "oxigenar a máquina" e "melhorar ainda mais a prestação de serviços públicos em áreas essenciais" (A GAZETA, 04/01/05). Isto significa que a comunicação social vai precisar trabalhar mais a dimensão do governo.

Além de trabalhar mais esta dimensão do governo, focalizando a prestação dos serviços, a comunicação social precisaria também, tratar da dimensão do estado do Espírito Santo.

O estado do Espírito Santo enfrenta, já há alguns anos, uma crise de imagem. Penso que esta crise de imagem pode ser um fator de fortalecimento de uma identidade social capixaba. É um trabalho para uma geração. Mas é factível.

Como se sabe, os estudiosos da "cultura capixaba" costumam dizer que somos um "caldeirão cultural". Esta condição de "caldeirão" teria sido fortalecida nos últimos 30 anos. Nos anos 60, até o final dos anos 70 do século passado, muitos capixabas deixaram o Espírito Santo. Depois, entretanto, o estado foi palco de um movimento inverso, de emigração. Modificou-se, assim, a estrutura demográfica capixaba.

Tendo estes fenômenos em mente, a "sociedade capixaba" poderia fortalecer uma (nova) identidade social a partir da própria mobilização pela "limpeza" de melhoria da nossa imagem no Brasil e no exterior. E, também, pela melhoria da auto-imagem, conforme já argumentei em artigo anterior.

As mudanças institucionais em curso contribuem para isto, na medida em que preparam terreno para, ao longo do tempo, forjar uma sociedade republicana, democrática e aberta.

Mas é preciso mais. É preciso criar uma verdadeira animação e agitação cultural e social. Para mostrar ao Brasil que aqui vivem cidadãos de bem, e não cidadãos de segunda classe habitando uma terra de ninguém.

O Espírito Santo precisa ter símbolos de identidade. Precisa valorizar seus talentos. Precisa superar a famosa "Teoria do Caranguejo". Precisa mostrar que é uma terra de gente trabalhadora, com um PIB que há quase 30 anos cresce mais que a média nacional.

Ao colocar uma socióloga à frente da comunicação social do governo estadual, o governador Paulo Hartung pode estar abrindo caminhos para um enfoque mais amplo e ousado à área de comunicação .