Camisa de força





Renata Oliveira - Interina



A onda de investigações no Estado do Espírito Santo já atingiu o Executivo, como no governo José Ignácio, e o Legislativo, como provam as manchetes de jornais. Mas o terceiro poder está passando por brancas nuvens. O juiz Carlos Eduardo Lemos admitiu possível infiltração dos maus mocinhos de colarinho branco no Poder Judiciário e, ao contrário de outros estados, onde juízes já foram para trás das grades, o Espírito Santo está quietinho, quietinho.

Claro e óbvio está a questão política envolvida e muitas das vezes o Espírito Santo fica numa camisa de força, faltando pano para abraçar tantos loucos por dinheiro que estão por aí posando de bonzinhos e mantendo o disfarce da democracia. Na gigantesca onda de prisões a coação moral está nítida e André Nogueira, com mãe e membros de sua família presos, não agüentou a pressão. Obviamente resolveu soltar o verbo, mas será que suas declarações terão validade, tamanha foi a coação moral?

Não se trata de defender ou não e sim de analisar a grande questão política que está por trás dessa tsunami de prisões. Cabe analisar se toda a história que os jornais estão publicando acaba por aí ou se há mais gente envolvida que não está aparecendo. O fato não foi contado ou ninguém quis ouvir?

Na época das investigações do governo José Ignácio, por exemplo, a primeira-dama Maria Helena não foi para presídio ou delegacia, mesmo com tamanho comprometimento. As ações de agora estão mais duras, com extremadas atitudes de demonstração de poder e de controle total dos poderes.

Dizem que as próximas investigações continuarão no Legislativo, mas, dessa vez, no cunho municipal de Vitória. Seria uma continuação do que estão fazendo na Assembléia, demonstrando que o Estado do Espírito Santo está resolvido a limpar as ações do crime organizado seja em qualquer poder, inclusive o Judiciário, como já anunciou o aplicado e respeitado juiz Carlos Eduardo Lemos.

O ano de 2005 começou com investigações sobre grandes esquemas e a tendência é de que haja novamente a divisão do poder entre as mesmas forças já conhecidas. Uns com poucos, outros com muito e alguns com nem tanto.

Fragmentos
1 - Parece que as investigações do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO) e as do desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo Pedro Valls Feu Rosa chegaram a um ponto comum. Até pouco tempo, elas pareciam andar em linhas paralelas ou opostas.

2 - O prefeito de Vila Velha, Max Filho (PDT), deixou a facção tucana que o apoiou chupando o dedo.

3 - Afastado da função de presidente do PSB de Vitória, Luiz Ciciliotti evitou comentar a necessidade de novas secretarias para o partido na prefeitura de Vitória. Devido a uma fratura na tíbia, terá que ficar 45 dias de pernas para o ar, literalmente.