Marina Silva e os problemas
ambientais do ES





Ubervalter Coimbra


A ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, encontrará nesta sexta-feira (7) um Espírito Santo cheio de problemas ambientais. São problemas antigos e novos, que vêm lenta e gradualmente destruindo o Estado e seu povo.

Os gigantescos eucaliptais plantados para a Aracruz Celulose, principalmente, (450 mil hectares, se incluído o sul da Bahia), que formam o famoso Deserto Verde, aniquilam a biodiversidade vegetal e animal, a água e o solo. É fantástica, quase inacreditável, a quantidade de agrotóxicos usados pela empresa nos plantios.

Gases (entre eles o enxofre, que vira ácido sulfúrico em contato com a água) e particulados (inclusive minério de ferro ultrafino) que vão parar nos pulmões, para nunca mais sair, são lançados no ar sem nenhum tratamento por empresas como as Companhias Vale do Rio Doce (CVRD), Siderúrgica de Tubarão (CST), Belgo-Mineira, Samarco Mineração e Aracruz Celulose, para ficar entre as principais. Poluem o meio ambiente e afetam a fauna e flora. E, principalmente, provocam doenças, entre elas alérgicas, respiratórias e até cânceres, principalmente na população da Grande Vitória.

O solo capixaba é destruído por práticas agrícolas mais que ultrapassadas (para produção de café, cana, pastarias e até de frutas e verduras, muitos até aram morro abaixo): mais de 600 mil hectares estão degradados, grande parte em vias de desertificação.

O ecossistema marinho no Espírito Santo é permanentemente ameaçado pela pesca predatória, pela coleta de algas calcáreas e pela destruição de manguezais (o Estado perde 100 hectares de mangue por ano com aterros e corte da vegetação), sem contar a iminência da mineração, tanto no litoral como nos rios. E, pasmem: o Espírito Santo sequer realizou o seu mapeamento agroecológico, que indica o que e onde plantar, sendo dos poucos estados do País a ignorar o seu potencial econômico e ambiental.

A Mata Atlântica no Estado vem encolhendo (de 1995 a 2000 o Espírito Santo perdeu 1,19% de vegetação nativa), por ação tanto de fazendeiros e até de pequenos proprietários, como também pela Aracruz Celulose e outras empresas.

No Estado, a mineração de mármore, granito e areia é praticada sem efetivo controle ambiental, degradando vegetação, solo e água.

E cresce a ameaça, com o aumento da exploração do petróleo, tanto no litoral quanto em terra. E sequer o licenciamento ambiental das empresas produtoras de petróleo é feito no Espírito Santo.

Por todas estas questões, e muitas outras, a vinda da ministra Marina Silva ao Estado é uma grande notícia.

É a hora e a vez de os ambientalistas e administradores públicos responsáveis chegarem junto para cobrar uma atuação eficaz do governo federal no controle destes agentes/empresas que degradam o meio ambiente e matam a gente capixaba.