Foto: Bernardo Coutinho
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| Futura fez pesquisas eleitorais para Gratz (foto à esquerda) e para cumprir contratos apresentou relatórios (centro) com informações colhidas de estudos do Instituto Jones (direita)
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O Instituto Futura recebeu R$ 282.900,00 da Assembléia Legislativa para orientar os deputados nas eleições municipais de 2000 e no pleito eleitoral de 2002, quando foram escolhidos os deputados, senadores, governadores e o presidente da República, conforme revelou o ex-diretor geral da Assembléia André Cruz Nogueira. "Várias pesquisas eleitorais realizadas pela Futura foram pagas através deste mecanismo, apenas constando outros motivos", disse Nogueira em seu depoimento divulgado pela Justiça nesta quinta-feira (6), em alusão ao que chamou de "esquema de patrocínios", utilizado para desviar dinheiro público. "Todos os recibos foram assinados pelo professor João Gualberto", confirmou o professor Sebastião Pimentel, diretor da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, que tem contratos com a Assembléia para diversos fins. João Gualberto Vasconcellos é cientista político e diretor do Instituto Futura.
Pimentel não forneceu à reportagem o contrato com a Futura, nem os comprovantes de pagamento ao diretor da Futura. "A orientação do departamento jurídico da Fundação é de que são documentos sigilosos e serão disponibilizados caso a Justiça solicite", disse.
Mas cópias dos três estudos em poder de Século Diário, fornecidas pela Fundação Ceciliano Abel de Almeida à Assembléia Legislativa no final de 2004 não têm a chancela da Futura, nem constam créditos para o corpo técnico comandado por Gualberto na execução dos estudos.
O professor Sebastião Pimentel, no entanto, garantiu ser João Gualberto Vasconcellos o autor dos trabalhos encomendados. "A Fundação tem os recibos assinados por ele", revelou.
Segundo contratos obtidos pela reportagem deste Século Diário, a Fundação Ceciliano Abel de Almeida (FCAA) deveria produzir três estudos diferentes - que seriam supostamente os "outros motivos" apontados por André Nogueira para encobrir as pesquisas eleitorais.
O contrato de nº 003/99, de 16 de abril de 1999, custou R$ 67.900 e tinha como objeto "a prestação de serviços técnicos especializados para a realização do projeto Região da Sudene em Dados". Este contrato foi assinado por José Carlos Gratz e pelo ex-diretor-executivo da FCAA Roberto Sarcinelli Barbosa.
Outro contrato, de nº 026/99, firmado no dia 5 de novembro de 1999 e no valor total de R$ 50.000,00, tem por objeto "a prestação de serviços especializados, visando o desenvolvimento de um Projeto de Avaliação do Sistema de Ensino Profissionalizante do Estado do Espírito Santo". Sob a assinatura do contrato não há identificação do signatário, apenas a frase "Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo - contratante".
Da parte da FCAA, consta o professor Roberto Sarcinelli Barbosa como signatário deste contrato e também no contrato 003/01, de 12 de março de 2001. Este terceiro contrato reza que o objeto é "a prestação de serviços para analisar a dinâmica dos movimentos da população do Estado do Espírito santo vis a vis o desempenho da economia ao nível do Estado, das macro e micro regiões e municípios". O contrato 003/01 custou aos cofres públicos R$ 75.000,00.
Fontes secundárias
Embora a cláusula primeira de todos os contratos tenha por objetivo a prestação de serviços técnicos, o que o Instituto Futura fez, na verdade, foi o que se chama no mercado de pesquisas de consulta a 'fontes secundárias'. É simples: a Futura reuniu dados já publicados por entidades como o IBGE, a Ufes, o Instituto Jones dos Santos Neves, o BNDES e outras tantas siglas que denominam entidades que realizam pesquisas de fato.
E todos os relatórios encadernados apresentados à Assembléia Legislativa como fruto da pesquisa lançam mão de dados antes coletados e publicados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (Ipes) em relatórios como o 'Perfil dos municípios do Espírito Santo incluídos na Sudene', de 1998.
Sebastião Pimentel demonstrou surpresa ao saber do possível envolvimento da Fundação Ceciliano Abel de Almeida com o crime organizado. "Prefiro acreditar que o professor Gualberto e estas pessoas não fizeram isto". E pediu que se separem as ações das pessoas das da FCAA. "A imprensa tem de apurar esse assunto até o fim e se há alguém que cometeu alguma coisa errada, que seja punida", disse o diretor da FCAA. "Mas peço que não achincalhe a reputação da Fundação por causa das pessoas", concluiu.
A reportagem de Século Diário teve acesso aos relatórios das pesquisas eleitorais realizadas pelo Instituto Futura para José Carlos Gratz no período entre junho e julho de 2000. A série intitulada 'Pesquisas políticas' tem dois volumes de subtítulo 'Questões estaduais' e outros 10 volumes, um para cada municípío da Grande Vitória (Vitória, Serra, Vila Velha, Cariacica, Guarapari, Viana) e outros para Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Nova Venécia.
A reportagem procurou a diretoria do instituto Futura, mas não conseguiu contato telefônico até o fechamento desta edição. O filho de João, Hélio Gualberto Neto, informou que "a Futura está em recesso e eu também tentei falar com meu pai pelo celular e não consegui". O telefone da casa de João Gualberto também não foi atendido.
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