A abertura de inscrições para os cursos técnicos orgânicos das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (Mepes) depende apenas da homologação dos processos aprovados no Conselho Estadual de Educação (CEE) pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu). A Sedu não sabe quando a homologação será realizada: os processos ainda estão sendo analisados pela Subsecretaria.
A homologação é ato do secretário Lelo Coimbra. Sem o cumprimento da parte burocrática na Sedu, e publicação do ato na imprensa oficial, os cursos não podem funcionar. As escolas estão prontas para começar os cursos em março, mas dependem da agilidade da Sedu na conclusão dos processos.
Está para ser homologado o curso da EFA de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, que formará técnicos agrícolas orgânicos especializados em hortifruticultura. O funcionamento do curso foi autorizado pela resolução 985 do CEE.
Também depende da aprovação do secretário Lelo Coimbra o funcionamento dos cursos de fruticultura agroecológica e administração de estabelecimento agrícola, da EFA do Bley, em São Gabriel da Palha. A Resolução do CEE para estes cursos é a de número 978.
A resolução 1.079 do CEE autoriza a oferta dos cursos técnicos para formação de fruticultor e piscicultor da EFA de Boa Esperança. Todos os cursos foram aprovados no dia 28 de dezembro do ano passado. As resoluções autorizando o funcionamento dos cursos foram remetidas para Sedu nos dias 12 e 14 de janeiro.
Dos processos em avaliação no CEE falta a aprovação dos cursos da EFA de Vinhático, no município de Montanha, para formação de técnico em fruticultura agroecológica e em criação de gado leiteiro. A criação desses cursos chegou a ser informada pelo conselho. Mas, embora com parecer favorável do relator do processo, ele não foi analisado em plenário. Está em pauta na reunião do CEE do dia dois de fevereiro próximo.
A EFA de Olivânia, em Anchieta, já ministra os cursos de fruticultura familiar e processador de agroindústria familiar. O Mepes também oferecerá curso técnico na EFA de Jaguaré, com habilitação em produção orgânica familiar.
Os cursos técnicos têm duração de quatro anos, e serão oferecidas 35 vagas por curso, em média.
Os cursos das EFAs empregam a Pedagogia da Alternância, desenvolvida pelo Mepes. Na Pedagogia da Alternância, o aluno divide seu tempo entre a escola e sua casa. O modelo pedagógico é ideal para a área rural.
Os profissionais que atuam na produção orgânica têm amplo mercado. A demanda por alimentos orgânicos vem crescendo, pois os consumidores fogem dos efeitos devastadores dos venenos agrícolas. Os agrotóxicos intoxicam 500 mil brasileiros, e matam 10 mil brasileiros, anualmente.
Os venenos provocam vários tipos de câncer, impotência sexual e frigidez, destrói o sistema imunológico da pessoa, provoca suicídios e deformações genéticas, entre muitas outras doenças.
Os maiores prejudicados são os produtores rurais que aplicam os agrotóxicos, muitos diariamente. Dos intoxicados por venenos agrícolas cerca de 10% ficam definitivamente incapacitados para o trabalho, o que totaliza uma perda de 50 mil trabalhadores/ano no país. Segundo dados oficiais, o Brasil gasta, somente na compra de venenos agrícolas R$ 10 bilhões por ano (exatos US$ 2.502.131, em 2001). O Espírito Santo é o terceiro estado do País no consumo por pessoa de agrotóxico.
Leia mais:
(reportagem publicada em 30/12/2004)
|