Ao ouvir falar de biodiversidade, é natural que surjam dúvidas em relação ao seu significado, já que a palavra possui diversos conceitos. Mas entre todos o mais simples traduz o vocábulo como "riqueza de espécies de uma área", ou melhor, o vasto número de seres vivos nela existente. É a diversidade biológica do planeta.
Alguns pesquisadores e membros de entidades ecológicas conservacionistas arriscam dizer que estamos vivendo em "um mundo de ervas daninhas", no real sentido da expressão, onde o homem danifica os recursos naturais que lhe são de total importância. Na verdade, o que esses profissionais pretendem é alertar a população sobre um problema que assola o ecossistema há algum tempo: a destruição dessa biodiversidade.
Foto: Bernardo Coutinho
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Esse tipo de preocupação já se manifesta há algum tempo e é transmitida ao público em geral através de levantamentos e estudos dos números de espécies que estão ameaçadas de extinção por causa da depredação da natureza.
Após dois anos de projeto, a lista vermelha capixaba, que contém essas espécies em três categorias, foi homologada pelo governador Paulo Hartung recentemente, o que vem fortalecer os trabalhos de preservação ambiental. As listas de espécies ameaçadas no Espírito Santo são úteis para a orientação de esforços de conscientização e elaboração de estratégias de salvamento de espécies diversas da fauna e da flora.
A elaboração da lista vermelha do Espírito Santo levou um ano e meio e envolveu cerca de 300 profissionais da área de biologia.
Em 71, aconteceu a primeira tentativa de fazer uma lista. Em 72 saiu um livro editado pela Academia Brasileria de Ciências com as espécies ameaçadas de extinção.
Nesta entrevista, o pesquisador Marcelo Passamani fala um pouco dessa lista e da importância da preservação da biodiversidade, muitas vezes ignorada pela simples falta da informação. Colaboraram as jornalistas Marialina Côgo e Danielle Rodrigues.
Século Diário: - Qual é a história dessa lista, a partir de que momento vocês resolveram fazê-la?
Marcelo Passamani: - Na verdade, a gente tem sempre acompanhado junto ao governo federal quais são as ações feitas com a biodiversidade. O enfoque mais forte do Ipema, a Mata Atlântica, como sempre foi, a gente sempre tem uns técnicos acompanhando as listas oficiais do Ibama e a gente tem umas listas estaduais, caso tenha uma informação importante de algum estado. Por exemplo, Minas Gerais, nós acompanhamos a lista pontual de lá. Na realidade, isso é uma estratégia usada nacionalmente porque a gente sabe que as listas estaduais são mais precisas, porque diminuem o âmbito de ação, ou seja, fica uma localização política mais estreita. Isso não tem nada a ver com fauna, por exemplo, e flora, eles não obedecem os limites políticos, mas é uma forma de a gente trabalhar esses limites políticos. Então, cada estado faz sua lista porque fica muito mais preciso, uma vez que a gente tem informação muito mais pontual. Ou seja, uma espécie pode estar criticamente ameaçada em um estado, mas não estar no Brasil inteiro ou em um outro estado. Então, a gente tem um instrumento, possibilitado pela lista, muito mais centrado, que é uma lista nacional.
- E quando vocês terminaram essa lista, vocês verificaram muitas espécies que estavam ameaçadas na lista nacional e não estavam aqui ou vice-versa?
- Algumas, sim. Algumas estão na nacional e não estão aqui e outras vice-versa.
- E a lista nacional, existe há quanto tempo?
- Em 2003 teve a ultima revisão, e a idéia, não só da lista nacional, mas das listas estaduais, é de se fazer uma revisão de cinco em cinco anos.
- Mas quando saiu a primeira lista nacional? Tem muito tempo?
Foto: Bernardo Coutinho
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- Nossa, tem muito tempo. Década de 70. Final da década de 60. A proposta que a gente tem acompanhado é de que seja feita uma revisão a cada cinco anos. Algumas entram e saem da lista, ou entram em outra categoria.
- E como se faz uma lista de preservação? Qual a metodologia para se fazer uma lista?
- Existe uma instituição internacional chamada IUCN (União Internacional da Natureza), que na realidade é um conjunto de pesquisadores do mundo inteiro que definem quais são os critérios que cada espécie vai ser enquadrada para ver em qual categoria ela cai. Qualquer instituição no mundo que fizer uma lista vai se basear por essas definições. Essa é a proposta, que usem sempre o critério para enquadrar, mesmo que seja regional ou que seja estadual. A IUCN é União Mundial pela Natureza, uma Organização não Governamental, a mais antiga e importante do mundo. A característica única é agregar tantas organizações governamentais quanto as não governamentais de diversos países, sendo que é mais importante representação internacional do movimento ambientalista. Tem mais de 850 membros, compreende estados, agentes governamentais e não governamentais em mais de 133 países. As atividades são de conservação dos recursos naturais, no contexto de desenvolvimento sustentável. Principalmente na área de preservação de espécies de fauna e flora ameaçados, criando áreas de proteção e avaliação do estado de preservação de cada espécie.