Vitória (ES), edição de fim de semana
 
'O PT terá candidato a governador em 2006'





Cristina Moura


Às portas das eleições de 2006, o Partido dos Trabalhadores (PT), com 25 anos completados de existência, quer enfrentar a selva política com um nome para governador do Espírito Santo. Esse nome seria o do deputado estadual e ex-presidente da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa Cláudio Vereza.

Nesta entrevista, que inaugura uma série com personalidades políticas do Estado, Vereza demonstra o seu tom moderado e, sutilmente, faz suas críticas ao governo Paulo Hartung. Para o petista, o Estado do Espírito Santo ainda não conta com um programa eficiente na área social. Outro problema por ele abordado é a segurança pública.

Vereza admite que foi auxiliado por Hartung durante a sua gestão na Mesa - que teria servido para 'destrancar' o Legislativo e sua relação com o Executivo. Por outro lado, o deputado diz que o governo do Estado não estaria com a performance que está se não tivesse tido apoio dos petistas nesse processo de mudança da Casa. Diante dessas novas construções e alianças para 2006, Cláudio Vereza, discretamente, afirma que o PT também quer o PT.

Século Diário: - Para onde vai o PT nas eleições 2006?

  Foto: Apoena
  
Vereza: - O PT está se preparando para participar do processo de 2006 com candidatura. O debate está começando no âmbito do partido. Eu tenho colocado o meu nome para uma candidatura a governador do Estado, e claro que esse é um processo que deve ser construído daqui até o início do ano que vem. Além da candidatura, além do nome à disposição do partido, nós vamos ter que debater um programa de governo, construir um programa de governo, a partir de seminários, vamos ter que buscar aliados, ou consolidar aliados em potencial que já temos, tradicionalmente o PSB, o PDT, o PL, o PC do B, especialmente esses partidos, mas sem descartar um debate com o PPS e outros, o PMN, dentre outros. Esse processo também significa construir chapas de candidaturas a deputados estaduais e federais fortes. Não sabemos ainda se a reforma política vai ser aprovada da forma com que o relator aprovou lá no Congresso, mas, se for daquele jeito, haverá lista partidária, haverá proibição de coligação, de tal forma que a construção de chapas proporcionais é fundamental. Vamos discutir também a candidatura ao Senado com os aliados. É muito importante para compor com os candidatos a governador e passa também por uma unidade partidária forte que foi o segredo para chegarmos à vitória em Vitória e Cariacica. A união do partido, a unidade do partido em torno desse objetivo, fez com que a gente atingisse de forma forte essas duas vitórias, além das prefeituras do interior do Estado. Essa unidade em torno da candidatura já existe hoje. Todas as correntes do partido são favoráveis a esse processo de disputa no ano que vem.

- Existe um outro cenário também que é a provável candidatura à reeleição do governador Paulo Hartung e o bloco opositor que provavelmente joga com dois nomes, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) e o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PDT).

- Nós estamos conversando com o PDT. Já fizemos uma primeira conversa no início de junho, muito positiva de ambas as partes. Ambas consideraram importante uma unidade desses partidos, uma aliança desses partidos para 2006. Nós vamos conversar também com o PSB e com os demais partidos que eu já citei.

- Parece que todo mundo quer o PT. Vidigal teria dito que para onde o PT for ele vai. Hartung nunca escondeu que gostaria também. Então, como fica essa situação?

- O PT também quer o PT (risos)... O PT também quer construir o seu caminho, as eleições municipais credenciaram o partido para novos passos aqui no Estado, e vamos nos colocar nesse cenário.

- O presidente Lula não esconde que gostaria que o PT ficasse com o governador Paulo Hartung, mas parte da bancada do PT estadual é simpatizante da deputada federal Iriny Lopes, que se faz oposição. Como o PT vai ficar diante de tantas frentes de diálogo?

- Eu não creio que o presidente Lula e a direção nacional queiram impor uma política ao Estado porque as experiências anteriores não foram positivas nesse sentido. Nas eleições municipais mesmo houve tentativa da direção nacional de impor aos estados, às capitais, suas idéias, sua proposta. Eu não creio que isso aconteça aqui, mas nós vamos considerar tudo isso, desde que estejamos disputando o processo com a cabeça de chapa.

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- O senhor foi presidente da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa, na gestão anterior, com a participação do governador. Ele tem retribuído à imagem do PT atualmente?

- Com certeza. Sem a nossa posição na presidência da Assembléia o governo do Estado não estaria na posição em que está hoje. O que trancava, o que amarrava, o que era o principal nó da política capixaba há três governos seguidos era a Assembléia Legislativa. Aquele esquema de domínio do parlamento que emperrou toda a política do Estado e que aprofundou o envolvimento da política com o crime organizado. Então, destrancar a Assembléia, destravar a política capixaba passava pela Mesa Diretora da Assembléia. E nós fizemos isso de maneira muito firme, muito forte. Além de termos destravado, nós 'desencavamos' todo o esquema de corrupção e de domínio que existia aqui, de tal forma que destravar a Assembléia foi destravar o Estado do Espírito Santo. Permitiu que o governo do Estado pudesse governar com a tranqüilidade que governa hoje. Isso acrescido do apoio que o governo Lula deu ao governo do Estado, especialmente no que tange à liberação, antecipação dos royalties do petróleo - o que foi facilitado também pela nossa presença na Assembléia Legislativa. Essa facilidade do governo Paulo Hartung com o presidente Lula foi ampliada por nossa presença na Assembléia, de tal forma que esse processo está 'elas por elas', eu diria.

- Há quem diga que na Assembléia não existe oposição ao governo Paulo Hartung. O senhor concorda com isso?

- Sim, não há. Nós do PT, a bancada do PT tem uma posição de independência, mas não de oposição. Isso em vista do processo que o Espírito Santo vive de reconstrução de um período de caos total, de caos completo, para esse período de tranqüilidade democrática. Mas temos tido uma posição crítica a alguns pontos do governo, como a área de segurança, como a área social... Temos buscado intervir nos projetos, como foi o caso da LDO, apresentando emendas para privilegiar, para dar mais peso à área social e às prerrogativas do Legislativo no campo da fiscalização do Executivo. E aprovamos emendas importantes nesse sentido da fiscalização.

- O que é que está faltando para que o governo seja um modelo para o restante do Brasil?

- Ah, falta muita coisa...