Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Um candidato ao Senado aberto ao diálogo





Cristina Moura


As saudações socialistas no Estado do Espírito Santo parece que estão arrumando as malas para o Senado. O nome mais cogitado é o do deputado federal Renato Casagrande, que diz estar ainda avaliando a proposta da direção estadual.

Como um dos cabeças da sigla que elegeu o governador Paulo Hartung, Casagrande desmente os boatos de que sua provável candidatura ao Senado teria feições de troca de alianças. A mais comentada nos bastidores seria uma nova acolhida ao próprio governador na legenda.

Nesta entrevista, o deputado diz que o PSB mantém um relacionamento estratégico com o PT, desde as últimas eleições municipais. Mas, para 2006, a conversa pode ser outra. Os socialistas ainda não se definiram. Também estariam mantendo uma relação amigável com o PDT - que, assim como o PT, quer lançar candidato próprio a governador.

Talvez para se distanciar da polêmica em torno do maior cargo do Estado, Casagrande deixa claro que o PSB quer representantes capixabas no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa. Se serão aliados de Hartung ou não, a página da história ainda não decidiu em que ritmo vai virar.

Um tanto ponderado, Casagrande critica o governo do Estado em dois pontos, ambos pulverizados nas mazelas sociais que não são um triste patrimônio apenas do Espírito Santo. Para o deputado do PSB, a desigualdade existe, mas, no momento, pode ser traduzida como um conjunto de desafios.

Século Diário: - Como estará o PSB nas eleições de 2006?

  Foto: Carlito Medeiros
  
Renato Casagrande: - Nós estamos ainda iniciando a discussão. O Brasil, como tem eleição de dois em dois anos, infelizmente ou felizmente, nós temos que discutir permanentemente o processo eleitoral. Mas a eleição de 2006 é uma eleição que... Nós estamos num processo de fortalecimento interno no primeiro momento. Neste fim de semana, o partido está realizando os congressos municipais, que são as nossas convenções municipais, em todos os municípios do Estado do Espírito Santo, onde nós iremos iniciar um debate da posição do partido. No meio do mês de julho, nós iremos fazer um congresso estadual. Nos dias 17 e 18 de julho, vamos fazer um congresso estadual, onde vamos aprofundar um pouco mais a posição do PSB. A prioridade estratégica do PSB em nível nacional é eleição de deputado federal, para que possamos continuar ultrapassando os cinco por cento. Aqui no Espírito Santo estamos trabalhando para que possamos motivar lideranças do PSB para que sejam candidatos a deputado estadual, para que sejam candidatos a deputados federais. Vamos ter uma chapa completa de estadual e uma chapa completa de federal. É prioridade no partido isso. Então, estamos motivando, incentivando, para que vice-prefeitos, ex-prefeitos, para que dirigentes do partido que já experimentaram uma disputa na urna possam disputar a eleição. E também o partido quer fazer parte, quer disputar um espaço majoritário. Nós compreendemos que o PSB tem uma história de luta e de trabalho junto à sociedade capixaba já há alguns anos. É um partido que sempre esteve ao lado de movimentos populares, combatendo a corrupção, mobilizando a sociedade para que ela possa se organizar. Temos uma estrutura boa hoje no Estado. Elegemos 13 prefeitos, 12 vice-prefeitos, 80 vereadores. O partido que mais elegeu numericamente no Estado do Espírito Santo. Nós temos, então, a base social e uma base eleitoral, que permite que nós, além de termos candidatos a estadual e federal, possamos ter candidato ou a governador ou a senador. Nós estamos buscando uma participação efetiva do partido. Primeiramente, a discussão interna, para que o partido possa, depois, fazer o debate externo, a partir do ano que vem.

- O PSB deu a sua base e a sua legenda ao governador Paulo Hartung, que se elegeu pelo partido. O governador pediu sua desfiliação logo em seguida. Como o PSB ficou depois disso?

  Foto: Carlito Medeiros
  
- O partido continuou sua vida normal. Nós temos um caminho a seguir, um objetivo a chegar. Para atingir esse objetivo, tem pessoas que colaboram no processo eventualmente. O governador Paulo Hartung colaborou eventualmente no projeto do PSB. O PSB não alterou o seu rumo, o seu objetivo. A filiação do governador Paulo Hartung foi uma filiação que nós já considerávamos que poderia, com o decorrer do tempo, ter problemas. Nós não tivemos problemas de nenhum tipo, mas sabíamos que o governador Paulo Hartung não criaria raízes no PSB, com a sua filiação, pela tradição do governador. Ele próprio reconhece isso, a sua pouca tradição com os partidos políticos. Nós sabíamos que isso chegaria a um fim, com o decorrer do tempo. Chegou ao fim no processo de eleição municipal, mas nós temos um objetivo estratégico de organização partidária, para que partido seja instrumento de mudança na sociedade, que possa se fortalecer, e a participação do governador Paulo Hartung no PSB colaborou com a organização partidária e o partido continua o seu caminho. Nada se alterou no objetivo do PSB.

- Bem, atualmente o governador se encontra sem partido. Comenta-se que ele possa voltar aos quadros do PSB, desde que seja reservado ao senhor o posto de senador nas próximas eleições.

- Isso não procede. O governador Paulo Hartung, na minha avaliação, não posso falar por ele, mas ele não se decidiu em qual partido vai abrir diálogo. Ele saiu do PSB... No quadro político atual, ele não tem muitas opções. O PSB, eu acho, que pode até ser uma opção, eu acho, para a gente poder conversar e dialogar, mas não tem nenhum diálogo feito efetivamente, e não tem nenhuma pré-condição estabelecida, até porque não tem nenhum diálogo. Eu estou com a candidatura ou uma pré-candidatura ou um projeto de candidatura ao Senado colocada já há alguns meses pela direção estadual, que me pediu que eu pudesse refletir sobre essa possibilidade, pudesse começar a consultar partidos aliados, lideranças e entidades, dirigentes políticos, sobre a possibilidade. Estou fazendo isso. A prioridade do partido hoje é consolidar o meu nome como um candidato ao Senado, para o ano que vem, mas ainda numa discussão interna, reservada, porque não queremos antecipar o processo eleitoral. Mas não tem nenhum vínculo com esse boato ou com essa possibilidade colocada por alguns meios de comunicação, sobre o boato da vinda do governador Paulo Hartung para o PSB.