Após a matéria veiculada por este Século Diário, na última segunda-feira (17), sobre a suspeita de manobras políticas na seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ES), muitos advogados se surpreenderam. É que a maioria da categoria não imaginava que teria havido uma "sessão secreta" encabeçada pelo presidente da OAB-ES, Agesandro da Costa Pereira (foto).
O caso está sendo relatado na ação popular de autoria do advogado Luís Fernando Nogueira Moreira, protocolada junto à Justiça Federal. Acontece que, antes disso, e antes mesmo da publicação da matéria de Século Diário, muitos advogados não sabiam por que a auditoria contratada pela OAB-ES - para investigar a Caixa de Assistência dos Advogados (CAAES), quando foi presidida por Jocelan Alves Corrêa - não teve seu resultado publicado.
A ação de Luís Fernando Nogueira Moreira foi encaminhada para a 4ª Vara Cível de Vitória, da Justiça Federal, no último dia 13, contra o advogado Agesandro da Costa Pereira. Junto com o atual presidente da CAAES, Sebastião Gualtemar Soares, Agesandro teria realizado uma manobra para desvirtuar o parecer da Cont-ágil, que fez uma auditoria nas contas da OAB e da CAAES por encomenda do próprio Agesandro. O resultado da auditoria teria apontado irregularidades nas contas da seccional.
No final do ano passado, a Comissão de Orçamento e Contas da OAB-ES informou que não era possível divulgar o resultado da auditoria, por se tratar de um conjunto de dados "sigilosos" para a seccional. O ex-presidente da CAAES, Jocelan Alves Corrêa, não soube do resultado da auditoria, mesmo tendo sido citado pelas denúncias do ex-amigo Agesandro.
A auditoria também tornou inválidos os termos de acordo entre OAB-ES e CAAES no período avaliado, pelo menos os últimos dois anos, a contar da realização das investigações, que teriam sido finalizadas em novembro de 2004. Luís Fernando revelou que não imaginava ter recebido tantos telefonemas depois que a matéria foi veiculada revelando a "sessão secreta" e os prováveis desmentidos de Gualtemar, numa segunda versão para a empresa de auditores.
Um dos pontos da ação diz que, além de não divulgar a auditoria independente, a OAB não a respeitou: "Muito pelo contrário, mandou elaborar em sua Comissão de Orçamento e Contas um parecer com o intuito de desmentir a conclusão da auditoria independente."
Os termos de acordo assinados por Jocelan, por determinação de Agesandro, podem ser somados em desvios de quase R$ 2,6 milhões, ao longo dos últimos cinco anos. O próprio Jocelan confessou que foi usado como um "fantoche" pelo seu ex-amigo.
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