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  Vitória (ES), edição de 03 de março de 2005
 
Às serranas, com carinho



Paulo Rogério


  
Foto: Divulgação
  
Mulheres são homenageadas pela Amus em março

Em dia de data importante, geralmente uma forma de comemoração sempre é realizada junto à comunidade. Em grande parte da região metropolitana de Vitória, cada cidade ainda está fechando sua programação. No município da Serra, por exemplo, já está tudo pronto para as comemorações do Dia Internacional da Mulher.

Uma série de atividades está sendo preparada por meio da Associação das Mulheres Unidas na Serra (Amus) em parceria com órgãos de autoridades públicas municipais.

As serranas terão a oportunidade de fazer a inscrição para as oficinas que serão realizadas no dia 12 de março, das 13h às 18h, no Colégio Americano Batista/Fabavi, em comemoração à data - celebrada em 8 de março. Além das oficinas, serão oferecidos serviços e realizadas apresentações culturais com bandas de congo.

Uma das coordenadoras deste evento do sábado (12), na próxima semana, e diretora da Amus, Zenilda Fernandes do Vale disse que são esperadas 500 mulheres. "No ano passado atendemos inclusive mais do que isto, mas porque nossa expectativa era menor do que as 500 mulheres. Esperamos neste ano exatamente esta quantidade, mas caso o desempenho prevaleça, é provável que tenhamos mais visitantes".

Zenilda Fernandes é terapeuta natural, com formação técnica na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Também é mestrando o curso de reflexologia (de massagem na ponta dos pés), pelo Instituto Ângelo Natura - curso de origem italiana, mais especificamente da cidade de Trento.

Lembrar sempre é importante, mas...

A diretora da Amus disse que lembrar sempre é importante, mas que a sociedade ainda está muito longe do que poderia ser, mais madura, sem tantas desigualdades e pré-conceito com a capacidade da mulher na sociedade.

"A mulher, depois de tantos anos de lutas conseguiu espaço no mercado de trabalho, mas ainda existe um 'mistério' em torno desta vitória, a diferença salarial. Esta diferença, com base em pesquisas recentes, gira em torno de 15% à 40%. Uma das funções de entidades como a Amus é ajudar a desvendar 'mistérios ' como este.", e combater a violência contra a mulher "com a chamada intolerância de gênero, que gera tanto a violência física como a psicológica", entre outros entraves à realização de um relacionamento saudável entre homens e mulheres nos dias atuais, afirma Zenilda Fernandes.

Inimiga bem íntima

A terapeuta disse que além dos maus tratos que as mulheres sofrem, junto com as desvantagens impostas no meio profissional e social oriundas do machismo, elas ainda têm que combater a si próprias. É o chamado "machismo feminino".

"Este fenômeno do machismo feminino não é tão novo assim. As mulheres criam seus filhos há muitas décadas, com a mesma visão patriarcal que os homens, mesmo hoje em dia quando são chefes de família", uma vez que as mulheres estariam cooperando para seus filhos e filhas terem uma posição opressora e submissa, respectivamente, com relação ao gênero oposto. Mas Zenilda Fernandes conclui:

"Não que as mulheres deveriam criar seus meninos, por exemplo, para que sejam submissos às mulheres, mas elas podem não continuar cooperando para a perpetuação da essência de todos os problemas oriundos desta relação problemática do homem com a mulher na sociedade". De acordo com a diretora da Amus, as verdadeiras feministas não são aquelas que querem inverter o papel do homem e da mulher por completo, mas estabelecer um nivelamento entre ambos a fim de uma com vivência harmônica entre os gêneros.

Todas em São Paulo

A Associação das Mulheres Unidas da Serra (Amus), em conjunto com a Federação Estadual das Mulheres e da Secretaria da Mulher da Central Única dos Trabalhadores (CUT) estão fretando alguns ônibus para mobilizarem cerca de 180 mulheres do Estado, que irão se juntar com outras de todo o País, e de algumas partes do mundo, na cidade de São Paulo.

Uma passeata será realizada na próxima terça-feira (8) em plena capital paulista. A expectativa dos organizadores é que cerca de 40 mil mulheres participem da manifestação na pauta de comemorações. Em todo o Espírito Santo existem cerca de 120 entidades voltadas às mulheres.

Fique de olho

Estão abertas inscrições para as moradoras do município que quiserem participar das oficinas de reflexologia, ikebana, mosaico-cartão, bijoux, biodança, bolsas artesanais em retalhos jeans e coloridos, yoga, grupo de movimentos em terapia corporal, maquiagem e tenda Johrei (energização pela imposição de mãos).

Ainda serão oferecidos serviços como saúde bucal, verificação de pressão arterial, detecção de diabetes, marcação de consultas para o exame preventivo e atendimento jurídico. As inscrições para as oficinas são gratuitas e as vagas são limitadas. Para se inscrever, as interessadas devem ligar para os telefones 3228-2426, 3328-7500 e 3238-9959.

Uma outra novidade: os homens que comparecerem também serão atendidos nos serviços do evento.