Só mesmo numa cabecinha oca poderia ser gestada a idéia de se buscar soluções para o problema da segurança no Estado num município do ABCD paulista. Que afinidades têm, entre si, o Espírito Santo e a cidade de Diadema?
Pois é lá que o exército Brancaleone capixaba - o secretário Rodney Miranda, a chefe de Polícia, Selma Couto, e seus assessores - estão desde a última quarta-feira (16) em busca de exemplos para aqui serem aplicados. Eles ficaram impressionados com o fato de aquele município ter registrado queda significativa no índice de homicídios depois que passou a vigorar o toque de recolher na cidade a partir das 23 horas.
Francamente. A população do Espírito Santo não está alarmada apenas com o alto índice de homicídios que se registra no Estado. A violência por aqui é multifacetada: vai de furtos em residências (com ou sem arrombamento, mas sempre com muita violência), a assaltos no comércio, na indústria e nas ruas, seqüestros relâmpagos, roubos e furtos de carros, queimas de arquivo, crimes de mando (pistolagem), tráfico de drogas, estupros - enfim, não há delito que não se cometa no Estado.
Pode ser que o grande problema da criminalidade em Diadema tenha tido sua origem nas bebedeiras em bares da cidade, madrugada a dentro. Pode ser. Bêbados realmente criam muitos problemas e cometem desatinos. Numa cidade do interior cabe disciplinar a bebedeira, determinando-se horários rígidos para o funcionamento de bares.
Mas aqui não estamos lidando com bêbados arruaceiros. Estamos enfrentando, totalmente desprotegidos, perigosos bandidos, homicidas frios e sanguinários, assaltantes fortemente armados, traficantes poderosos e uma multidão de malfeitores que circulam livre e impunemente em nossas despoliciadas ruas.
Mandar os bares fecharem suas portas às 23 horas, como acontece em Diadema, teria o efeito de um bumerangue: a medida se voltaria contra o próprio Estado, pois desestimularia o turismo e o comércio de lazer e diversão.
Vitória não é uma grande metrópole, mas é a capital do Estado. Implantar o toque de recolher na Capital às 23 horas é decretar a falência da cidade. Imagine-se o Triângulo das Bermudas às escuras, com seus bares e restaurantes fechados nesse horário...
A cada "idéia" que expõe para a nossa perplexa e aterrorizada sociedade, o sr. Rodney Miranda só demonstra despreparo e absoluta falta de criatividade. Não se ouve falar de encontros seus com autoridades de outros setores da administração pública.
E já é mais do que sabido que a violência só se combate eficazmente por meio de ações conjuntas e coordenadas em todas as áreas da atividade pública - educação, saúde, ação social, planejamento etc. Rodney Miranda é um solitário navegador nas águas turvas de um setor entregue à própria sorte.
Por isso ele lembra o comandante daquele exército de aloprados celebrizado no filme italiano "O Exército de Branca Leone": sem rumo, sem alvo, sem objetivo, sem meta e sem idéias.
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