Voltei. Uma semana passa rápido, não acredito que tenham sentido saudades. Enfim, rolou o TIM Festival aqui no Rio e [*é bom justificar*] quando cogitei ir, em meados de setembro, foi sem qualquer intenção de reportar isso a alguém. Até porque a possibilidade de estar tocando essa coluna surgiu depois. Então fui como fã [*sem compromisso com ninguém*] e para ver apenas duas bandas que curto demais, Strokes e Kings Of Leon.
No início do caminho, havia o mundo livre s/a, banda que não conheço muito bem mas que sempre soou interessante. Graças à extrema pontualidade do evento [*fator muito positivo na minha opinião*], o lugar ainda estava um pouco vazio durante o curto show dos músicos pernambucanos. O público foi chegando durante a apresentação e pareceu gostar tanto quanto eu. A perfeição do som permitiu uma viagem diferente em cada música, dada a riqueza e variedade de nuances sonoras da banda. Letras quase sempre carregadas de fina ironia, sobre temas do nosso dia-a-dia, embaladas por encontros de cavaquinho e guitarras, surdo e bateria e tantas outras combinações possíveis. O grupo tocou músicas antigas ("Tentando Entender", "Bolo de Ameixa", "Melô das Musas"...) e do novo EP "Bebadogroove" - primeiro fruto do selo próprio OIA Records - como "Soy Loco Por Sol" e Nêga Ivete".
Fred 04 ainda aproveitou para se posicionar com relação ao referendo, votado dali a dois dias. Disse, em resumo [*escrevo de memória*], que direito não é uma coisa sagrada, e citou barbaridades - violências e abusos cruéis, por nada - feitas aos escravos há pouco mais de um século, todas eram "direitos adquiridos" e na época houve muita reclamação por parte daqueles que o perderam. Recado dado, muitos aplausos [*não lembro se aplaudi, creio que sim, o discurso foi bem legal, bem "inflamado", bonito mesmo*] e a banda sai do palco tendo cumprido bem o papel de preparar o terreno para "Kings Of Leon".
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Alegria, alegria! Intervalo de 30 minutos cravados e lá vem eles!
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Os irmãos Caleb (guitarra e voz), Jared (baixo) e Nathan Followill (bateria) mais o primo Matthew (guitarra) emergiram da escuridão que tomava conta do palco naquele momento, no melhor estilo "luz no fim do túnel". Sem dar tempo de concluir o pensamento [* P*TA QUE PA... *] que "subiu" quando visualizei os caras, foram logo detonando "Molly`s Chambers". Dali em diante eles mostraram uma mistura bem dosada de seus dois álbuns, "Youth and Young Manhood" (2003) e Aha Shake Heartbreaker (2005).
Sem trocar guitarras ou baixo durante todo o show, o quarteto [*pouco falante*] vindo do Tennessee mostrou porque são roqueiros e fizeram um showzaço sem frecuras. Rock cru, bem básico [*tem um climão de garagem no ar, sabe?*], ótimos solos de guitarra e um batera alto nível - em "The Bucket" e "Slow Night", o cara quebrou tudo. Distribuíram porradas viscerais como "Four Kicks", "Soft", "Wasted Time" e "Red Morning Light", foram mais dóceis em "California Waiting" e não negaram as raízes sulistas carregadas de country e - sem deixar de ser rock - mandaram "Milk", "Velvet Snow" e "Kings of Rodeo" [*para mim, essa é Strokes total*]. Nessa última, principalmente, a galera "forçou uma barra" e começou a arriscar uma coreografia [*absolutamente dispensável*] vista em rodeios [*nada contra rodeios e coreografias, mas eu estava em um show de rock, pô!*], só que não durou muito. Thank`s God.
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O que eu tenho pra dizer sobre o show dos Strokes? Foi o melhor da noite. A começar pela intro ao apagar das luzes. "It Must Be Love" do Madness [*valeu Mau Val!*] preparando o terreno e a banda suavemente assumindo suas posições no palco. Enquanto isso o público delirava em êxtase. [*A essa altura, confesso que meus sentidos já tinham declarado independência*] O set list escolhido foi denso, incluiu o álbum de estréia na íntegra além de 5 músicas inéditas. Abriram com "Hard To Explain" seguida por "Someday" e "Soma".
A primeira "nova" foi "Hawaii-Aloha", levada rápida com algum peso, meio punk. As outras foram "You Only Live Once" já cantada por grande parte dos fãs, "Juice Box" que também agradou bastante, "Razor Blade" e "Heart In A Cage" sendo que as duas últimas sequer tiveram sua transmissão autorizada na MTV. Ambas com a assinatura bem particular da banda. Tivemos ainda momentos inesquecíveis com "Last Nite", "12:51", "Take It Or Leave It", "Automatic Stop", "Under Control", que contaram com uma "entrega" total do público, completamente conectado ao som.
O show acabou três vezes, todas em altíssima voltagem. Primeiro com "Reptlia" e "Is This It" [*aí neguinho perdeu mesmo a linha*], depois com "New York City Cops" [*alívio, alívio...*] e por último, após o vocalista Casablancas dizer que éramos muito sortudos, veio "I Can`t Win". Minha única tristeza, foi não ter adquirido ingressos para a apresentação do dia seguinte.
Os Strokes mostraram, com a complexa simplicidade de sua música, a razão de serem vistos como a grande banda de rock dessa geração. Por mais que influências existam, a assinatura deles é própria e facilmente identificável. O formato das letras com versos curtos, a maneira "largada" como eles são cantados, a guitarra que os completa e a que estabelece o "nível de tensão". Forrando o caminho a ser pisado, um baixo eficiente e a bateria que anda bem em qualquer terreno.
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"Eis os Stones na praça outra vez / caminhado na ponta dos pés / como quem pisa nos corações / que rolaram dos cabarés..." [*Desculpa Chico!! Não resisti... "Mil perdões"!*] Pessoas, essa banda que desafia o tempo do nosso mundo descartável, lançou nesse semestre seu melhor disco dos últimos 24 anos, "A Bigger Bang". É imperdível para os amantes do bom e velho rock n roll. Mas muito já se falou disso por aí, vamos adiante.
A razão dessa nota é a próxima "pedrada" já com data marcada, 22 de novembro. Os Rolling Stones vão colocar no mercado um cd de raridades recheado de versões "ao vivo", alternativas e covers. O disco se chamará "Rarities 1971-2003" e trará as seguintes músicas: "Fancy man blues", "Tumbling dice" (ao vivo), "Wild horses", "Beast of burden" (ao vivo), "Anyway you look at it", "If I was a dancer (Dance part 2)", "Miss you (remix)", "Wish I'd never met you", "I Just wanna make love to you" (ao vivo), "Mixed emotions" (versão alternativa), "Through the lonely nights", "Live with me" (ao vivo), "Let it rock" (ao vivo), "Harlem shuffle" (remix), "Mannish boy", "Thru and thru" (ao vivo). Só pedras preciosas.
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Se der, tenha esse cd:
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Foto: Divulgação
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"Exile On Main Street" - The Rolling Stones (1972)
Não havia mais Beatles, Jim Morrison, Janis Joplin, Hendrix e Brian Jones. Não havia a magia e as "descobertas psicodélicas" dos anos 60, gritos de "paz e amor", ou mesmo o que se provar. Eles eram literalmente os "donos do pedaço", tinham uma coleção de hits, fãs apaixonados e um último disco - Stick Fingers - aparentemente insuperável em suas 10 faixas (entre elas "Brown Sugar" e "Wild Horses"), bastava apenas que se mantivessem vivos. Mas eles foram além, muito além do "provável". Gravaram na casa de Keith Richards na França aquele que seria o mergulho mais denso e profundo de uma banda de rock na musicalidade negra americana [*"back to the roots"*] em todas as suas vertentes. Batizado de "Exile On Main Street", o álbum duplo trazia os Stones como uma "big band" de 8 músicos. Foram acrescidos um trompete e/ou trombone (Jim Price), um sax (Bobby Keys que está até hoje com eles) e um piano (Nicky Hopkins). Trata-se do melhor disco duplo de todos os tempos e [*depois de muito pensar*] é o melhor trabalho já feito por eles. [*Até agora, diga-se de passagem...*].
As faixas têm uma fúria singela e apaixonada, 18 pequenas bombas atômicas capazes de, em minutos, mover para sempre as placas tectônicas do rock n roll. [*Consegui!*] A primeira é "Rocks Off", um rockão frenético com vozes dobradas e um riff poderoso, na seqüência [*como quem pergunta: "e aí, vai querer?"*] "Rip This Joint", acelerada e chapante, quebra tudo e abre passagem para a caravana seguir seu caminho. Outros rocks "sem precedentes" na história são "All Down the Line" e Soul Survivor". Há a clássica "Tumbling Dice" com seus vocais se sobrepondo e uma linha de baixo alucinante segurando as guitarras que deliciosamente dialogam e se cruzam na atmosfera da canção. "Sweet Virginia" é uma daquelas que ninguém pode deixar de ouvir antes de morrer, há o primeiro registro inesquecível de Jagger tocando gaita logo na introdução, e sua voz bêbada, suplicante e debochada torna essa canção irresistível. Aliás uma das faixas mais "entorpecidas" e desafiadoras - talvez petulante, mas eu vejo isso como humor fino - é "I Just Want To See His Face" que traz dois versos em sua referência no encarte e que dizem basicamente: "Eu não quero falar sobre Jesus / Eu apenas quero ver a cara Dele". [*Tá bom?*]
"Loving Cup", Let It Loose" e "Shine A Light" são baladas inatingíveis pois cada fragmento delas, está no ponto mais alto que se poderia chegar, é impressionante a vibração dessas músicas, e o quanto Jagger está cantando, só ouvindo mesmo. Esse é para bagunçar a alma.
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