O desfecho do caso dos cincos deputados acusados de receber o mensalão na Assembléia vai influir nas eleições do ano que vem. Cassando, fica de um jeito; não cassando, fica de outro. O governador Paulo Hartung, que os manteve em sua base de apoio, lidando com eles como aliados, vai ser o principal alvo dessa definição.
Cassados Gilson Gomes, José Tasso e José Ramos, do PFL, Fátima Couzi, do PTB, e Rudinho de Souza, do PSDB, o governador Paulo Hartung se livra relativamente da cobrança que fatalmente virá da oposição, onde os Mauro (Max pai e Max filho), principalmente esses dois, encontram-se em regime intensivo de preparação física para pegar o governador nas eleições.
No caso de os cinco se livrarem da cassação, essa conta vai para o governador Paulo Hartung. Pois o Estado todo entende que a Assembléia é uma extensão do governo do Estado. Mais fiel e mais cumpridora de ordens do que ela não há outra entidade igual. Todas as suas decisões passam pelo gabinete do governador, muitas das quais, inclusive, sem a devida necessidade de ir além do Gabinete Civil, com Sérgio Aboudib.
Não diria que o destino eleitoral do governador está aí. Mas pode muito bem atrapalhar a trajetória do governador nas eleições. Vamos ter uma eleição num período em que a figura do político estará por demais desgastada.
O governador passou incólume os três primeiros anos de governo, com imagem intacta, mas situações embaraçosas com essa dos cincos deputados costumam respingar. Em eleição se usa muito a analogia: fulano, beltrano, é quem salvou etc. O governador já deixou os cinco deputados à própria sorte.
Mesmo deixando-os à própria sorte, o resultado final vai influir na campanha da reeleição do governador. Ainda mais sem se saber ainda quem será ao certo o adversário, pois no PDT, de onde virá o seu principal adversário, está ainda por definir-se entre Max pai, Max filho e Sérgio Vidigal.
O caso dos cincos deputados é realmente o primeiro obstáculo eleitoral para o governador saltar. Vai ter que dar uma de Paulo Pimenta (o maior recordista do salto com barreira da história do Espírito Santo) para se safar. É o chamado fogo amigo rondando a casa.
Fragmentos
1 - Os atuais deputados também não estarão livres do processo que vai decidir o destino de Gilson Gomes, Zé Ramos, José Tasso, do PFL, Fátima Couzi, do PTB, e Rudinho de Souza, do PSDB. Vão ter que escolher entre contaminação e imunização.
2 - Absolvidos, vão buscar votos para a reeleição praticamente como co-réus. Condenados, farão o gênero do deputado ligado na voz da rua. É, portanto, o pior possível o momento dos cinco deputados acusados pela Receita Federal. Tanto isto é real que já se conhecem antecipadamente os votos dos corregedores. Pela condenação.
3 - A chamada isenção do julgador não vai estar presente neste processo. Prevalecerá a voz da rua, influenciada pelo mensalão de Brasília e pela anterior contaminação da Assembléia pela era Gratz. A realidade é uma só: a situação dos deputados acusados é um elefante que está no gabinete de cada um dos deputados.
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