As chuvas que atingiram a Grande Vitória desde a última terça-feira (1) deixaram ruas alagadas em Vila Velha e na Serra e moradores de morros em alerta em Vitória e Cariacica. Para piorar, não existem estatísticas de quantas famílias moram em áreas de risco, o que impede o planejamento de medidas preventivas. Os problemas voltam a se repetir e parece não haver solução a curto prazo.
Três deslizamentos de terra ocorreram na Serra e várias ruas ficaram alagadas em diversos bairros. Os maiores problemas ocorrem em Jardim Limoeiro, José de Anchieta, Vista da Serra e região de Jacaraípe. A Defesa Civil aponta a macrodrenagem (um conjunto de obras de desobstrução de canais, galerias, coleta de esgoto e recuperação das margens dos rios, entre outras ações) como a solução definitiva para o problema dos alagamentos. Entretanto, não há prazo para que as obras sejam iniciadas.
A Serra não possui estatística do número de famílias que moram em áreas com riscos de deslizamento. Segundo o coordenador municipal de Defesa Civil, Sebastião Sabino de Souza, o município não possui mapeamento detalhado dessas áreas. Há uma estimativa segundo a qual de três a quatro mil famílias vivem em áreas de risco, mas o número não é certo.
Em Cariacica, uma casa e um muro desabaram e várias ruas ficaram alagadas. Segundo a Defesa Civil do município, não houve problemas nas encostas. Cerca de 60% da cidade possui áreas de risco e os problemas estão concentrados nos bairros Sotelândia, Jardim de Alah, Aparecida, Mucuri, Nova Valverde, Alto da Boa Vista e Sotema.
A Defesa Civil de Cariacica conta com apenas três funcionários e um veículo para atender a todo o município. A cidade também não tem estatística da quantidade de famílias que vivem em áreas com risco de desabamento. O coordenador da Defesa Civil Municipal, Jarbas Mota Siqueira, explica que o ideal seria uma quantidade mínima de oito funcionários. "Como não temos funcionários suficientes, utilizamos pessoas de outras secretarias municipais", explicou.
A Defesa Civil informou ainda que moradores estão sendo recrutados como voluntários para atuar em situações de emergência. Esses moradores serão treinados dentro dos moldes da Política Nacional de Defesa Civil.
Em Vila Velha, ruas se transformaram em rios e diversos bairros, como Araçás, Itaparica, Santa Inês e a avenida Carlos Lindemberg, juntamente com seu entorno, tiveram problemas com os alagamentos. A Defesa Civil do município orienta os moradores a não entrarem em contato com a água para evitar o risco de contaminação por leptospirose.
O município canela verde também não tem estatísticas com relação à quantidade de famílias em áreas de risco. A Defesa Civil Municipal informou que um cadastro está sendo elaborado em parceria com a Secretaria de Planejamento junto com o mapeamento técnico das áreas de encosta. Apesar da quantidade de chuva, o município não registrou problemas com deslizamentos de terra.
A Secretaria de Obras de Vila Velha informou que o problema das enchentes só terá solução definitiva após a conclusão das obras de macrodrenagem. Os investimentos na obra serão de R$ 36 milhões e a ordem de serviço será assinada no próximo dia 19. Os recursos são da prefeitura e do governo federal e as obras devem ser concluídas em 18 meses.
Em Vitória não aconteceram grandes transtornos, mas a Defesa Civil Municipal está em alerta. "Tivemos apenas ocorrências simples. A prevenção está dando resultados. Estamos em alerta para qualquer problema com deslizamentos", afirmou o coordenador da Defesa Civil do município, Júlio Cesar Vaz.
Os órgãos de Defesa Civil orientam os moradores de áreas de risco a saírem de casa e entrarem em contato imediatamente com as autoridades ao primeiro sinal de problemas. As autoridades pedem também que a população não jogue lixo e entulho nas encostas, rios e canais.
Telefones para emergências:
Geral:
Polícia Militar: 190
Corpo de Bombeiros: 193
Defesas Civis (Municípios)
Serra: 3328-3730
Vitória: 3382-6167 / 3382-6168 / 8818-4432
Cariacica: 3216-9014
Vila Velha: 0800-2839059
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