Vitória (ES), edição de 03 de novembro de 2005

Hucam: servidores querem seguir
com greve, contra comando nacional



Paulo Rogério


Irredutíveis, os servidores técnicos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) não retornarão ao trabalho mesmo que o comando nacional de greve concorde com a nova proposta do Ministério da Educação (MEC). Enquanto isso, quem precisa de consulta no Hospital Universitário Cassiano de Morais (Hucam) fica na berlinda. "A única arma do trabalhador é a greve", afirmou um sindicalista.

Além do Hucam, estão paralisados também a biblioteca e o restaurante universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o MEC está cumprindo todos os compromissos assumidos com os professores das instituições federais de ensino público e com os servidores técnico-administrativos. De acordo com o Ministério, a negociação salarial com as categorias se aproxima de um desfecho, uma vez que o comando nacional de greve começa a ver com bons olhos a proposta.

Enquanto isso, lideranças do Sindicato dos Servidores Técnicos da Ufes (Sintufes) incitam o prolongamento da paralisação, como ficou claro após entrevista à TV Gazeta de um dos porta-vozes do movimento.

"Nossa avaliação é que a gente está sendo traído pelo comando nacional de greve", disse o diretor do Sintufes, Wellington Pereira. O sindicalista acusou "grevistas governistas" de tentarem "minar" o interesse da maioria dos trabalhadores pela paralisação, além de acusar o governo federal de pressionar os servidores.

O servidor deixou claro que não há qualquer intenção em reiniciar os trabalhos no Hospital das Clínicas e saciar o anseio de quase 30 mil pessoas que não foram atendidas desde o dia 22 de agosto último. O sindicalista reafirma o comportamento da categoria com a mesma prerrogativa: "a única arma do trabalhador é a greve". O sindicalista afirmou que a entidade pende para a "continuidade da greve por tempo indeterminado", afirmou.

Sintufes responsabiliza prefeituras

Os servidores do Hospital das Clínicas (Hucan) completa 75 dias nesta sexta-feira (4). Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recomendou que os ambulatórios, responsáveis por cerca de 70% da demanda hospitalar, voltassem a funcionar em pleno atendimento.

Segundo o representante do Sintufes, o hospital está atendendo além dos 30%, em diversos setores, como determina a Lei de Greve, e jogou a responsabilidade daqueles que não foram atendidos para a Prefeitura de Vitória e dos outros municípios - de onde saem outros pacientes.

"Os atendimentos do pronto-socorro, e outras necessidades mais básicas e problemáticas, vem sendo atendidos. O que não está sendo atendido? Tudo aquilo que as prefeituras municipais podem cobrir, mas não cobrem", disparou.