Tivemos mais um caso de morte nas dependências industriais da Companhia Vale do Rio Doce. Como das vezes anteriores, a vítima é sempre mão-de-obra terceirizada. Terceirização, diga-se de passagem, desnecessária, pois essas terceirizações da Vale, como da CST, da Aracruz Celulose e da Samarco, são sempre no sentido de baratear mão-de-obra.
O que á mais gritante: barateiam mão-de-obra empresas que registram os maiores lucros deste país.
Vale a pena lembrar, a essa hora da morte de mais um operário em pátios de empresas milionárias, que esses operários trabalham no velocímetro. Quer dizer, só conta o risco de vida das horas trabalhadas no local. Melhor explicando, porque trata-se de um verdadeiro absurdo: só conta quando ele entra em área de risco, em vez de o risco valer o tempo todo do seu turno de trabalho.
E quando morre, quem paga pela morte? Ocorre tudo isto nas barbas da DRT, cujo delegado é metalúrgico da CST, dirigente sindical, conhece a matéria, mas... não age como deveria agir, com autoridade e a revolta do trabalhador explorado pelo capital estrangeiro.
Mas enquanto ele não se dá conta da necessidade de reagir a essas deploráveis terceirizações, os trabalhadores ficam fora do lucro, pois o trabalhador do lucro a cada ano diminuiu de tamanho nas suas verdadeiras categorias.
Cabe ao sindicato, em plena campanha salarial, agir com mais energia diante dessa excepcionalidade, garantindo também melhores salários para os terceirizados e participação no lucro. E garantir - aos que trabalham em áreas de risco - receber o risco, como manda a lei: todo o turno trabalhado.
Caso o sindicato assuma a defesa dos terceirizados, vai melhor a estabilidade no emprego dos próprios trabalhadores das megaempresas alienígenas.
Na verdade, é preciso que venham reações da área sindical e da DRT para colocar nos eixos a questão da mão-de-obra na Aracruz, na Companhia Vale do Rio Doce, na CST e na Samarco, principalmente onde inventaram essa exploração desnecessária de mão-de-obra barata e sujeita à morte.
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