Vida de Imigrante - Tempos assustadores





Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA

O Halloween é uma tradição tipicamente americana, como o Dia de Ação de Graça no final de novembro. Tempo de abóboras, que são usadas em pratos típicos e na decoração, nos tamanhos mais variados, ao natural ou esculpidas. Muitos lugares fazem concursos de abóboras trabalhadas, com direito a velas acesas dentro.

Nesse 31 de outubro, apesar do furacão Wilma ter derrubado quase todas as árvores e postes na metade do estado, destelhado casas e arrancado cercas, o Halloween manteve sua preferência no anedotário popular. E a cidade já está um horror por si mesma, sem precisar de muitas caveiras e morcegos para criar o cenário apropriado para o dia das bruxas.

Embora muita gente ainda esteja sem luz, as casas foram decoradas com túmulos, esqueletos e teias de aranha, como manda a tradição. A criançada vestiu suas fantasias de péssima qualidade e saiu peregrinando de porta em porta, na doce missão de recolher a maior quantidade de balas e chocolates possível. Que vão devorar no dia seguinte.

E haja açúcar! A venda de guloseimas nesse mês cresce quase 80%. É como brinquedo no dia das crianças e flores no dia das mães. Alguns mais conscienciosos compram um ou outro artigo diferente, como biscoitos, lápis e borrachas, desde que venham decorados no estilo apropriado para a data; ou seja, quanto mais assustador, melhor.

A maioria, porém, vem mesmo com balas e chicletes, que compram aos quilos, e ficam esperando as crianças baterem na porta. Mas os tempos mudaram, e até o Halloween já não é mais o mesmo. Ainda temos crianças rondando de porta em porta, mas os pais vão atrás, acompanhando de longe.

Nessa segunda-feira, vi muitos pais levando grupos de crianças de carro, parando a cada cinco minutos para a turma recolher sua prenda, e seguir para a casa vizinha, alguns metros adiante. Outro sinal dos tempos, hoje em dia também fazem o Halloween nos shopings. As crianças vão de loja em loja pedindo brindes, mas essa caçada é menos produtiva.

Para persistir é preciso se adaptar, e o Halloween chegou ao terceiro milênio. Os tempos podem andar difíceis, mas as crianças mantêm a velha tradição, criando um jeito novo para um velho costume.