A vida sem qualidade




Quantas de nossas cidades oferecem boas condições de vida a seus habitantes? Quantas cuidam do seu ordenamento urbano? Quantas fiscalizam e punem as empresas poluidoras e degradadoras da vida social?

Com certeza não são animadoras as respostas a essas perguntas. Porque na maioria de nossas cidades não se vive com qualidade. Muitas cresceram desordenadamente. Outras, ao contrário, tiveram seu crescimento estagnado. E um bom número delas - as capitais, principalmente, e as de médio e grande portes - vive sufocado pela poluição ambiental.

É para enfrentar esses desafios que o Espírito Santo, por ato do governador Paulo Hartung, aderiu ao Projeto Qualicidades, louvável iniciativa que tem como um de seus principais idealizadores o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas.

Ele vai centralizar as ações do governo capixaba no esforço de cumprir as metas traçadas no projeto relativas aos municípios do Estado. Escolha perfeita, esta do governador.

Nos oito anos de sua gestão à frente dos destinos da Capital, Luiz Paulo demonstrou sensibilidade e preocupação frente aos graves problemas que afetam a cidade no quesito qualidade de vida. São de sua autoria alguns dos principais projetos da municipalidade em favor de uma vida mais condizente com quem paga impostos e ajuda no crescimento da economia local.

Agora, nomeado para coordenar uma comissão criada pelo governador para implementar medidas previstas no Qualicidades, ele vê multiplicada sua responsabilidade, pois vai dar maior abrangência às idéias que o inspiraram quando ocupou a chefia do Executivo em Vitória.

O ex-prefeito terá pela frente a árdua e difícil tarefa de propor medidas em benefício de uma população que cresce a cada dia e, nesse processo, vê agravar-se a crise das cidades, notadamente nas áreas social e ambiental.

Hoje, a Grande Vitória concentra quase 50% da população total do Estado - algo em torno de 1,6 milhão dos 3,4 milhões de habitantes. Será nesta região que o trabalho de Luiz Paulo enfrentará os maiores desafios nos campos social e ambiental.

Pois é esta a região que sofre os terríveis efeitos resultantes da presença dos chamados grandes projetos industriais - Aracruz, CST, CVRD e Samarco, para citarmos apenas os mais poluidores e desagregadores da vida urbana. São essas empresas que agridem impiedosamente o meio ambiente e incham as periferias com populações de miseráveis.

Primeiro elas atraem, quando realizam obras de expansão; depois, expulsam, quando tais obras se completam. Concretamente, poucas oportunidades de trabalho permanente oferecem, pois se utilizam o quanto podem de meios de automação em suas fábricas e, de um tempo para cá, adotaram a terceirização de mão-de-obra para baratear custos de produção e, em conseqüência, aumentar seus lucros.

Semeiam sonhos e, na colheita, oferecem pesadelo. Ou seja, atiram na miséria milhares de trabalhadores sem qualificação que atraem para um trabalho de caráter precário, geralmente temporário. Com isso, inflam as periferias das cidades, engrossando os já robustos contingentes de desempregados e desesperados cidadãos.

Luiz Paulo terá, certamente, sensibilidade para diagnosticar com equilíbrio e objetividade esse dramático quando sócio-ambiental de nossas principais cidades. Seu trabalho poderá constituir-se no ponto de partida de um novo tempo em terras capixabas - mais humano, justo e solidário.

Oremos, pois.