Continua valendo a previsão de que a eleição para o Senado é que vai constituir-se no verdadeiro tempero à disputa pelo governo. Os seus engates às candidaturas previstas para o governo é que vão alinhá-las devidamente na competição. As que já andam em circulação, como a do ex-senador Élcio Álvares (PFL) e a de Renato Casagrande (PSB), estão ainda por conta deles próprios.
As demais andam em incubadoras, com outras dentro do colete do governador Paulo Hartung e da manga de camisa do Sérgio Vidigal, do PDT (partido predestinado à disputa do governo com Hartung). Guardadas, naturalmente, sob sete chaves, para surgirem no momento adequado e dentro de uma linha de ajuda à disputa pelo governo. Pelo menos eles tencionam que sejam assim.
Como o governador segura a bola do jogo, a oposição fica sem referência para definir também o seu candidato ao Senado. Sobram imaginação e especulação. Entre as especulações: se o governador Paulo Hartung vai querer vários nomes vinculados à sua candidatura ao governo ou vai cravar o apoio apenas num único nome.
Sobram também especulações na oposição. Se ela tem nome(s) para segurar a estratégia que vem do lado de PH. Ou se o seu trunfo será tão-somente o ex-governador Max Mauro, com a sua devida robustez política e eleitoral, dando conta das fórmulas do governador Paulo Hartung para o Senado? Nunca é demais lembrar que o ex-governador está sendo também cogitado como candidato ideal para enfrentar PH para o governo.
Para os que imaginam as movimentações das pedras que o governador Paulo Hartung anda fazendo no seu tabuleiro político, em ensaios que costumam refinar os seus métodos, ele deve estar idealizando meios para anular o governador Max Mauro. Para o Senado ou para o governo. Pois quem tem um Max na cola tem que ter cuidado. Ele é um perigo numa disputa eleitoral, além de gostar de saborear adversários poderosos. E nisso PH é uma suculenta moqueca ao molho de camarão vilavelhense.
O que foi dito acima está, de certa forma, relativamente coerente com a situação atual, sobretudo no que se refere à importância que a eleição para o Senado terá na disputa para o governo. Pois é este mesmo grau de importância que faz com que emissários do governador, como o vice-governador Lelo Coimbra (PMDB), andem a seduzir o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal para disputar o Senado, evidentemente sem Max Mauro para o governo, deixando o campo livre para PH renovar o seu mandato de governador.
Portanto, em termos de disputa de governo no Estado, onde normalmente um quer estraçalhar o outro, tudo resvala no Senado: onde tudo também pode alterar-se.
Fragmentos
1 - Eleição está ai mesmo: o deputado federal do PDT Carlos Manato, que é coordenador da bancada capixaba no Congresso Nacional, criticou o governador Paulo Hartung da tribuna da Câmara dos Deputados, atribuindo ao governador descaso para com a bancada. É praticamente o primeiro discurso da bancada no Congresso, em três anos, contra o governador.
2 - Só que não são de hoje as divergências entre a bancada e o governador. Datam ainda do inicio da relação. Estão vindo a furo agora, quando desabrocha a situação eleitoral. Manato, parceiro de Vidigal e dos Mauro, contra o governador Paulo Hartung.
3 - Nessa mesma direção com que partiu agora o Manato aparece com seus ataques o deputado federal do PP João Miguel Feu Rosa. Só que feitos em outro cenário que não a tribuna da Câmara dos Deputados. Do programa partidário de TV do seu partido. Mas muito mais contundente do que o discurso do Manato. Eleição é isso mesmo. Tem seus exercícios de aquecimento e os primeiros batedores, depois é que vem a comissão de frente, com Max Mauro e companhia.
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