Foto: Apoena
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| Stöckl: Miguel participou de esquema que movimentou R$ 540 milhões nos últimos anos
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Os moradores dos municípios de Marechal Floriano e Domingos Martins, na região serrana do Espírito Santo, ficaram surpresos nesta quarta-feira (9) com a prisão dos empresários do setor cafeeiro José e Miguel Stöckl, Wladimir Resstel e sua esposa, Marlene Coelho Resstel, e o contador da família Christian Silva Rupf. As prisões foram o assunto principal das conversas nas duas cidades. A maioria se mostrava chocada, já que as famílias, principalmente a Stöckl, têm muita tradição na região. Quanto à família Resstel, o espanto ficava por conta da prisão de Marlene, tida com uma senhora acima de qualquer suspeita. Já o seu marido, Wladimir Resstel, sempre foi considerado "uma pessoa muito esperta".
A família Stöckl possui grande quantidade de terras, bens e quatro empresas legítimas no setor cafeeiro, que têm como proprietários os irmãos José, Miguel, Jorge e Gabriel Stöckl. A Cafeeira Stöckl é uma delas e está localizada em Santa Maria, Marechal Floriano. Na Igreja Católica de Santa Maria e na comunidade em geral, a família exerce muita influência.
Miguel sempre foi visto como o comandante dos negócios da família e é apontado nas investigações da Receita Federal e do Núcleo de Repressão a Organizações Criminosas (Nuroc) como dono de, pelo menos, quatro empresas laranjas. Essas empresas estavam no nome de pessoas ligadas a Miguel, mas não pertenciam diretamente à sua família.
Entre as supostos proprietários dessas empresas laranjas de Miguel estão pessoas da família Resstel, o que mostra o contato entre as duas famílias, que também estavam ligadas a Gilberto Profilo, auditor fiscal da Receita Estadual, preso nesta quarta-feira (9) na operação Profilaxia, junto com os Stöckl e os Resstel.
Já o chefe da família Resstel, Wladimir, contava com a colaboração dos seus irmãos Nicolau e Eliana Resstel, tinha empresas laranjas no nome dos seus filhos, Fabiana e Fabrício, da sua secretária, de amigos, entre outros. De acordo com as investigações, Wladimir Resstel possui sete empresas laranjas e 20 mil hectares de terra na localidade de Cocos, Bahia.
Alem da sonegação de impostos, ele estaria envolvido com a falsificação de documentos, como títulos de terras forjados. Na região serrana ele sempre atuou como exportador de café, não era produtor do setor, mas comerciante e negociador.
Marechal Floriano e Domingos Martins são dois dos maiores produtores de café Arábica do Espírito Santo. As fazendas e sítios com produções para o setor são geralmente de propriedade de famílias de origem alemã, que normalmente passam de geração para geração, com os filhos dando continuidade aos negócios dos pais. Em 2004, o setor cafeeiro gerou R$ 437 milhões na arrecadação de impostos de todo o Estado.
As famílias Resstel, Stöckl e Profilo foram apontadas durante a operação Profilaxia como responsáveis pelo esquema de sonegação de impostos federais e estaduais no setor cafeeiro. Além de Gilberto Profilo, a sua esposa,
Maria José Loureiro Profilo, analista processual do MPF-ES, foi presa durante a operação, que desmantelou a quadrilha acusada de sonegação fiscal, falsificação de documentos, formação de quadrilha, contrabando, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, agiotagem e venda de notas fiscais frias e tráfico de influência.
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(reportagem publicada em 10/11/2005)
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