Vitória (ES), edição de 10 de novembro de 2005
 

Onça ameaçada de extinção pode
ser alvo de fazendeiros no norte


Flávia Bernardes

Uma onça parda ou sussuarana está deixando assustados os moradores do distrito de Guatemala, no município de Ibiraçu, norte do Estado. Além de temerem o animal, os moradores têm receio de que a onça seja assassinada por fazendeiros, como aconteceu há poucos dias na região. A Polícia Ambiental já foi informada, mas até o momento não compareceu ao local.

Segundo os moradores, a população está com medo com a presença do animal nas redondezas. A Polícia Ambiental não foi encontrada para prestar esclarecimentos, mas segundo o professor de Zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sérgio Lucena, a população não deve temer o animal.

Ele informou que esta espécie não depende muito das florestas para viver e se adapta muito bem a ambientes abertos, desde que haja recursos para sua alimentação, ou seja, ela percorre grandes distâncias à procura de alimento, mas permanece no local por poucos dias.

"As onças pardas vivem nos fragmentos de florestas, e como estes são poucos hoje em dia, quando eles passam de um para o outro, são vistas pela comunidade, e acabam assustando a população", ressaltou. Mas não há motivo para se preocupar, disse o especialista. Lucena disse que a população pode ficar tranqüila, já que a espécie tende a evitar o ser humano por ter medo.

O maior problema para os moradores, como explicou Sérgio, é o ataque aos animais domésticos como cabritos, carneiros e porcos. E o maior risco ao animal é realmente o perigo deste ser assassinado por fazendeiros ou atropelados ao atravessar as estradas.

As onças constumam andar sozinhas, em casais na época do acasalamento, ou apenas as fêmeas e seus filhotes. Sérgio alertou que não há muito que a Polícia Ambiental possa fazer. "Essa é a nossa fauna nativa, não há muito o que fazer, a não ser que ela comece a atacar os animais domésticos, aí é possível que haja um manejo deste animal para outra área", disse.

   
A sussuarana está na lista de animais ameaçados do Ibama. Espécie de ampla distribuição, é encontrada nas Américas do Norte, Central e do Sul, do Canadá ao Sul da Argentina e Chile.

A pelagem tem coloração marrom-claro, uniforme e a cabeça é relativamente pequena, com olhos claros e focinho rosado. Os jovens nascem com manchas marrom-escuro, que desaparecem a partir dos seis meses.

Habita diversos ambientes, incluindo florestas, regiões pantanosas e regiões áridas. Sua alimentação consiste de pequenos roedores, até mamíferos de grande porte. É um animal de hábito diurno e também noturno, solitário, ágil e veloz, capaz de dar grandes saltos. Para refúgio utiliza covas e lugares escuros e bem protegidos, com vegetação cerrada.

Os nascimentos ocorrem a cada dois anos e o período de gestação é de três meses, com dois a quatro filhotes, os quais são protegidos pela mãe.