Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Um nome da oposição nacional
e da situação local para o Senado

Buscando espaço no tabuleiro eleitoral de 2006





Cristina Moura


("A vida só se dá a quem se deu."
Vinicius de Moraes)

Ex-deputado federal, ex-governador, ex-senador, ex-ministro... Élcio Álvares é um nome lembrado por atuação intensa na vida política do País. Mas ele quer repetir uma das doses. Em 2006, como senador. Ele faz sua avaliação do quadro que se desenha até o momento no Estado. E é um quadro que ainda suscita dúvidas, em se tratando de uma oposição que ainda não se definiu.

Nomes ainda duvidosos, os pedetistas Sérgio Vidigal e os Mauro (Max pai e Max filho). O primeiro porque oscila no comportamento quanto à possível tática de oposição. E o segundo segmento, o pai Max Mauro e o Max Filho, também navegando num discurso polêmico.

Mas o que Élcio Álvares faz questão de enfatizar na entrevista é o seu apoio irrestrito ao governador Paulo Hartung. Élcio acredita na reeleição do governador. Vale conferir, ao longo da sua avaliação, parte do seu diálogo com Hartung, ao se definir como pré-candidato ao Senado.

A metáfora utilizada pelo entrevistado é, em vários momentos, o tabuleiro de xadrez. Quais serão as peças expostas ao jogo? Ele mesmo não sabe, mas arrisca alguns palpites. São peças de várias qualidades: incertas, negociáveis, observadoras, adaptáveis ou estáticas.

Século: - Nosso tema central são as eleições 2006. O senhor já se declarou como aliado do governador Paulo Hartung (PMDB). Será que ele será mesmo candidato à reeleição?

  
Foto: Carlito Medeiros
  
Élcio: - Eu tenho acompanhado há sete meses algumas viagens do governador Paulo Hartung pelo interior. E sinto o seguinte: o governador, com muita inteligência política, está montando um esquema administrativo. Esquema administrativo que representa um leque imenso de obras no interior. E, obviamente, estou me referindo ao eleitorado chamado interiorano. Essas obras afirmam a administração e, afirmando a administração, logicamente haverá o proveito político. Agora, o quadro político no Espírito Santo é um tabuleiro de xadrez no momento porque até o próprio governador, nas suas declarações, levanta duas alternativas: ser candidato ao governo ou ao Senado. Por eu ser candidato, pré-candidato, até me referindo ao meu partido, o PFL, eu parto do pressuposto que a candidatura do governador já está inteiramente delineada como candidato a governador. Ele está caminhando para, no tempo oportuno, se declarar candidato à reeleição. Agora, esse quadro está sendo montado. Eu acho que tem uma base administrativa, e até certo ponto também todo mundo reconhece que o governador Paulo Hartung é um hábil articulador político. Ele está trabalhando muito bem o quadro partidário que está diante dele. Eu cito um exemplo do meu partido, o PFL. O PFL é um partido que se enfraqueceu, politicamente falando, e agora começa a se reorganizar. Nós tivemos uma boa administração de José Carlos da Fonseca Júnior, que acabou indo para o PSDB em virtude de problemas na legenda e entrou o doutor Sérgio Aboudib, que é o secretário chefe da Casa Civil do governador, que tem demonstrado nas primeiras reuniões do PFL uma vontade imensa de dar ao PFL realmente um lugar de destaque em 2006. Mas o que é que a gente colhe dessa relação do PFL com Paulo Hartung para exemplificar a relação partidária com o governador? É que ele tem a atenção voltada para um ponto que eu considero fundamental para ele que é este: o PFL detém seis minutos e dezessete segundos na propaganda eleitoral. Evidentemente, no momento em que estamos apoiando, o nosso presidente é o secretário-chefe... O partido está integrado ao governo Paulo Hartung, Ele ganhou o posicionamento partidário, inteiramente lógico, claro e irreversível em favor dele. Então, qual é minha idéia? No quadro político agora estamos começando a colocar as primeiras peças no tabuleiro. De parte do governador Paulo Hartung, uma atuação administrativa inteligente, corporificou o sentimento popular, tem visto muita habilidade e, certamente, este é o objetivo que me parece político em primeiro lugar. O governador tem dito em várias reuniões que está governando sem olhar siglas partidárias, mas não deixa de 'colher'. Agora, o lado da oposição. Logicamente, para a beleza da luta democrática, do debate democrático, a oposição vai ganhar um rosto. Até o momento, o rosto da oposição é através de lideranças já consagradas. Ainda não há um movimento delineado da oposição que vai ser feita. Mas ninguém tem dúvida disso, que nós teremos oposição dentro do Estado. Uma oposição que, eu diria, neste momento, é uma campanha imprevisível. E é imprevisível por que? Porque os temas que vão aflorar, a gente tem uma pálida idéia, mas não tem a certeza do que vem aí. Quem é da oposição vai encontrar um governador forte no sistema administrativo, um governador que está desfrutando de prestígio no interior e que começa a apresentar esse prestígio dentro da Grande Vitória. Mas nós não podemos deixar de analisar os dois componente eleitorais do Estado: o interior e a Capital. Na Capital, os partidos que ainda não estão diretamente ligados ao esquema do governador são partidos presumivelmente de oposição. Aí, é de se convir que o meu município, Vila Velha, é administrado por um oposicionista declarado ao governador. O município da Serra ainda está vivendo as alternâncias de comportamento do ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e o prefeito Audifax (PDT) está mantendo uma relação administrativa com o governador. Eu tenho ido muito à Serra e verifico isso. Mas há um fator interessante: nem a deputada Sueli Vidigal (PDT) se apresenta, nem o ex-prefeito comparece às solenidades, apenas administrativamente a Serra tem uma compreensão de que deve manter uma boa política de convivência.
  
Foto: Carlito Medeiros
  
Mas não é um gesto declarado político. Então, já fazendo um raciocínio... Nós temos uma oposição declarada em Vila Velha, nós temos uma oposição relativa dentro da Serra, e dois municípios, Cariacica e Vitória, nas mãos do PT. Qual é o caminho do PT? Essa é a pergunta. Eu tive a oportunidade de ver a matéria com Coser... Coser, com muita habilidade, fere vários pontos, deixando claro que o PT vai viver a situação nacional. A situação nacional em relação a Lula. Então, eu diria, dentro do Estado, nós temos um quadro administrativo do governo já delineado, que me leva à idéia clara que o governador é candidato à reeleição, e esse painel que está se montando, principalmente dentro da área da Grande Vitória. Porque no interior é natural a dependência dos prefeitos hoje. O governador tem realizado uma política de muita assistência aos municípios. Há uma tendência natural do prefeito ter uma certa simpatia pelo governador. Agora, até onde aquele que representar a oposição terá o condão de atrair dentro dessa seara que o governador está construindo elementos simpáticos à candidatura de oposição. Mas eu não tenho dúvida nenhuma, pelo posicionamento firme de alguns líderes que deixam claro o posicionamento de oposição que nós vamos ter uma disputa eleitoral que eu gostaria que fosse para o engrandecimento até da democracia dentro do nosso Estado. Mas eu coloco esse ponto: uma disputa imprevisível, dados os participantes, os atores que vão participar dessa disputa, os antagonistas, e aquele sistema que o governador Paulo Hartung vem dando à administração, que é um sistema no qual ele tem o comando da máquina administrativa e política. O comando absoluto e total.

- O senhor usou uma boa metáfora, que é o tabuleiro de xadrez.

- É um tabuleiro, inegavelmente...

- Há duas peças, pelo menos, na hora desse jogo. O senhor já mencionou as duas: o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal e outra, que são os Mauro, não se sabe ainda se o pai ou o filho.

- Os Mauro representando um grupo político de oposição declarada.

- O senhor acha mesmo que esse jogo vai ser balançado por essa oposição? Ou, até o momento, é apenas uma articulação de esquerda....

- Um simulacro...