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Foto: Fabíola Zardini
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| O estudante da Ufes Marcus Vinícius da Neves durante sua apresentação
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Música indígena, música popular, musicoterapia, musicologia histórica, eletroacústica, congo... Essa mistura aconteceu no último final de semana na Universidade Federal do Paraná, durante o Simpósio de Pesquisa em Música 2005, onde doutores e graduandos apresentaram seus trabalhos sobre a música no Brasil.O Estado se fez presente.
Observar as diversidades é a melhor forma de compreender a cultura brasileira. Juntar estudantes de todo o País em um único objetivo, a música, mostrou o quanto o Brasil é diverso e possui riquezas ainda escondidas.
Citar o congo e falar em participação capixaba até parece óbvio, mas não é bem assim. O trabalho do capixaba Marcus Vinícius Marvila das Neves não foi sobre a identidade cultural do Espírito Santo. Com seu Manifesto 1946: "O Banquete" do Música Viva, Neves foi o primeiro estudante do recente curso de Licenciatura em Música da Ufes a defender um trabalho publicado nos anais de pesquisa em música 2005.
Segundo o estudante, a intenção do trabalho é estudar a convergência de idéias entre o musicólogo nacionalista Mário de Andrade (conhecido mais pela sua literatura do que por suas pesquisas no campo musical) e o grupo Música Viva, com base no último trabalho do autor, O Banquete, que ficou inacabado. "A idéia é apontar as sínteses geradas por este encontro entre duas posições distintas e marcantes na música brasileira", afirma Neves.
E o Estado não passou despercebido no evento, já que o coordenador do simpósio, o professor doutor Álvaro Carlini, foi um dos primeiros a estudar a fundo a participação de Andrade na música nacionalista.
"O curso aqui no Paraná é recente, tem cinco anos, e eventos como esses são de extrema importância para estimular a criatividade e a pesquisa desses alunos. Falar do Mário ainda me entusiasma, devido à sua importância na música brasileira. E ver esses alunos darem continuidade a um trabalho que eu comecei há alguns anos é muito gratificante", afirma Carlini.
Mas e aonde entra o congo nessa história? No trabalho do estudante Márcio Horning, da própria UFPR, com o tema "Congadas da Lapa: a música de um folguedo na educação musical". De acordo com o estudante, o congo é muito forte na Lapa, bairro de Curitiba, e muito utilizado na educação musical regional.
Confesso que ao ouvir a exposição do trabalho, fiquei me perguntando então por que o congo é considerado tipicamente capixaba, já que existe em todo o Brasil e os sons e as raízes não são diferentes? Aí é que veio a resposta. Se for observado bem de perto, falta algo naquele ritmo que só se encontra no Estado: o som da casaca.
A verdade é que a cultura brasileira se mistura, e em cada região se dá uma nova roupagem, o que torna fascinante a participação em eventos como esses, quando se tem a oportunidade e ver e rever os conceitos culturais, aprender e ensinar um pouco sobre semelhanças e diferenças na música nacional.
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