Vitória (ES), edição de 11 de novembro de 2005    
     Capa       Agendas       Cinema         Dicas de CD       Exposições       Rapidinhas       Arquivo       Expediente         Fale Conosco
Simpósio de Pesquisa em Música



Fabíola Zardini
Especial para o Século Diário


  
Foto: Fabíola Zardini
  
O estudante da Ufes Marcus Vinícius da Neves durante sua apresentação
Música indígena, música popular, musicoterapia, musicologia histórica, eletroacústica, congo... Essa mistura aconteceu no último final de semana na Universidade Federal do Paraná, durante o Simpósio de Pesquisa em Música 2005, onde doutores e graduandos apresentaram seus trabalhos sobre a música no Brasil.O Estado se fez presente.

Observar as diversidades é a melhor forma de compreender a cultura brasileira. Juntar estudantes de todo o País em um único objetivo, a música, mostrou o quanto o Brasil é diverso e possui riquezas ainda escondidas.

Citar o congo e falar em participação capixaba até parece óbvio, mas não é bem assim. O trabalho do capixaba Marcus Vinícius Marvila das Neves não foi sobre a identidade cultural do Espírito Santo. Com seu Manifesto 1946: "O Banquete" do Música Viva, Neves foi o primeiro estudante do recente curso de Licenciatura em Música da Ufes a defender um trabalho publicado nos anais de pesquisa em música 2005.

Segundo o estudante, a intenção do trabalho é estudar a convergência de idéias entre o musicólogo nacionalista Mário de Andrade (conhecido mais pela sua literatura do que por suas pesquisas no campo musical) e o grupo Música Viva, com base no último trabalho do autor, O Banquete, que ficou inacabado. "A idéia é apontar as sínteses geradas por este encontro entre duas posições distintas e marcantes na música brasileira", afirma Neves.

E o Estado não passou despercebido no evento, já que o coordenador do simpósio, o professor doutor Álvaro Carlini, foi um dos primeiros a estudar a fundo a participação de Andrade na música nacionalista.

"O curso aqui no Paraná é recente, tem cinco anos, e eventos como esses são de extrema importância para estimular a criatividade e a pesquisa desses alunos. Falar do Mário ainda me entusiasma, devido à sua importância na música brasileira. E ver esses alunos darem continuidade a um trabalho que eu comecei há alguns anos é muito gratificante", afirma Carlini.

Mas e aonde entra o congo nessa história? No trabalho do estudante Márcio Horning, da própria UFPR, com o tema "Congadas da Lapa: a música de um folguedo na educação musical". De acordo com o estudante, o congo é muito forte na Lapa, bairro de Curitiba, e muito utilizado na educação musical regional.

Confesso que ao ouvir a exposição do trabalho, fiquei me perguntando então por que o congo é considerado tipicamente capixaba, já que existe em todo o Brasil e os sons e as raízes não são diferentes? Aí é que veio a resposta. Se for observado bem de perto, falta algo naquele ritmo que só se encontra no Estado: o som da casaca.

A verdade é que a cultura brasileira se mistura, e em cada região se dá uma nova roupagem, o que torna fascinante a participação em eventos como esses, quando se tem a oportunidade e ver e rever os conceitos culturais, aprender e ensinar um pouco sobre semelhanças e diferenças na música nacional.


 

Leia Também:
    
Agendas
Turismo e Cultura do ES

Século Diário
Notícias do dia

Veículos
Novidades sobre o mundo automobilístico