Estão engavetando o fim da reeleição na CV





Rogério Medeiros


O prefeito de Vitória, o petista João Coser, está seguindo a mesma linha de relação com a Câmara de Vereadores de Vitória do governador Paulo Hartung com a Assembléia. Absoluto controle e sem oposição nenhuma. Até o vereador Luciano Rezende, do PPS, não está na oposição. Ele se porta com um vereador independente. Já votou favoravelmente a 28 mensagens do prefeito petista. A mesma linha de atitude é do vereador tucano José Carlos Lírio.

Sem oposição tácita, o prefeito vai surfando a ponto de já estar trabalhando a reeleição do seu companheiro de partido Alexandre Passos para a presidência da Câmara. A proposta do fim da reeleição está engavetada na mesa do fiel vereador Zezito Maio(PFL). Assim como esperando a hora oportuna para entrar em pauta e ser derrubada.

Para quem já trabalha sem nenhuma discrição sua reeleição, que é o caso do prefeito João Coser, do aspecto de estratégia, contar com um a aliado na presidência da Câmara, é sumamente importante e até necessário. O problema está na defesa que o PT sempre fez contra às reeleições nas presidências dos legislativos. Além da maré não se encontrar nada favorável à mudanças no PT de rumo de propostas defendidas pelo partido. Numa hora em que o mensalão atinge o partido no coração.

Além dos mais, o PT já passou por isto na Assembléia, quando desejaram restabelecer à reeleição para reeleger Cláudio Vereza. Lá o partido fez as contas e viu que pagaria um preço alto em sua imagem. Recuaram até pela própria resistência do Vereza. Na Câmara de Vereadores de Vitória, pelo menos até agora, o Alexandre não se manifestou. Ao contrário, como presidente da Câmara, está deixando o vereador Zezinto Maio dormir com a proposta do fim da reeleição ao arrepio do regimento interno, que estabelece 72 horas para devolver à mesa matérias solicitadas através de questão de ordem. Está em poder do Zezito há mais de meses.

Estão, portanto, embromando matéria Muitas das vezes às facilidades que os parlamentos permitem aos governantes redundam em prejuízo político para os seus próprios partidos. Mas, por agora, o prefeito Coser pilota, ainda com certa discrição, à reeleição de Alexandre Passo, exercitando apenas o seu poder de controle sob uma dócil Câmara de Vereadores, levada pelos seus encantos: um prefeito petista radical com pose moderado.


Fragmentos
1 - Outra batata quente que está na Câmara de Vereadores de Vitória é o orçamento onde o governo petista diminuiu o percentual para a Educação. Na proposta enviada, a prefeitura assegura que ela ficou em torno de 26%. Porém, quando se faz uma simples operação de aritmética, pegar a importância destinada à educação e buscar o percentual em cima do total da proposta orçamentária, esse percentual cai para 19,3%. A mais baixa participação nos últimos 12 anos. Se 26% já estava aquém, imaginem 19%?

2 - O que vai acabar sendo extremamente danoso para o PT, que prometeu na campanha eleitoral voltar com os 35% que eram destinados à educação na administração de Vitor Buaiz, que foi do PT enquanto prefeito de Vitória.

3 - O que chama a atenção nessa redução do percentual da Educação é o silêncio do Sindupes. Um sindicato que teve sempre nesses 35% para a Educação a sua principal bandeira de luta. Talvez o que explique esse silêncio é a sua natureza política: sob comando de lideranças das principais correntes radicais do PT e com participação efetiva na administração Coser. Pelo menos cinco importantes lideranças da categoria estão em cargos em comissão.