A pé ou de bonde





Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA

Dirigir um carro exige aprendizado e prática. Aprender a se equilibrar sobre uma bicicleta é um dos grandes momentos da infância, geralmente o pai assume a tarefa de iniciar os filhos na habilidade de andar sobre rodas. Mas antes disto, andar no velocípede também foi preciso usar técnica e habilidade.

Na verdade, vivemos sobre rodas. Deixamos de ser bípedes e viramos quadrípedes. Por que usar as pernas se podemos nos locomover melhor e mais depressa sobre esses aros revetidos de borracha que nos levam para qualquer lugar? Vamos perdendo a habilidade de ir e vir por nossa própria conta, enquanto entulhamos as estradas e as ruas de veículos.

Quem inventou a roda não sabia o que estava fazendo. E pagamos um alto preço por esse luxo, atrofiando os músculos, poluindo o meio ambiente, criando empregos mas destruindo a natureza. No começo os carros eram artigos de alto luxo, até que Ford inventou a linha de produção, tornando esse sonho de consumo acessível para todos.

E quem não sonha? Na América as highways estão sempre entulhadas de carros transportando apenas um solitário motorista. Tal é o exagero que existe uma linha exclusiva nos horários de rush para carros com mais de uma pessoa. Privilégio? Nada disto, apenas necessidade de incentivar a carona.

É comum vermos marido e mulher trabalhando no mesmo lugar, ou próximos, nos mesmos horários, e ir cada um no seu carro, pois ninguém tem paciência de esperar por ninguém. Aos 16 os jovens já podem dirigir, embora ganhem uma carteira provisória, com horário e local limitados. Geralmente, apenas para irem à escola ou ao trabalho.

O excesso de dióxido de carbono polui a atmosfera, o aquecimento global muda o clima no mundo, enquanto novas marcas e novos modelos de carros saem das fábricas todos os dias. Os fabricantes prometem motores menos poluentes, mas os preços sobem e a gasolina está tão escassa que provoca guerras.

Não importa. Tudo que queremos é um carrinho incrementado, a pintura brilhando ao sol. Para salvar o mundo, os outros que andem a cavalo.