Vitória (ES), edição de 14 de novembro de 2005

Grande Vitória: ou o transporte
melhora ou a metrópole pára



Anderson Cacilhas
Foto capa: Arquivo Século Diário



Um milhão e seiscentas mil pessoas enfrentam problemas todos os dias para se locomover na Grande Vitória. Com 231 mil veículos e engarrafamentos cada vez maiores, a região metropolitana precisa de um sistema de transportes coletivo moderno que garanta a mobilidade das pessoas. Para urbanistas, é preciso enfrentar esta questão e resolver o problema viário da metrópole capixaba.

O governo do Estado se apressa em lançar o Transcol III como resposta a esses problemas. As obras começam ainda este ano e prevêem a construção de quatro novos terminais em Vila Velha, Cariacica e Serra, além da recuperação de vias e terminais já existentes, aumento e reformulação de linhas e implantação da bilhetagem eletrônica. Estas medidas visam a agilizar o sistema e reduzir a superlotação.

Em 2000, um estudo sobre a questão do transporte na Grande Vitória foi finalizado, o que resultou em um Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) que aponta diretrizes para a eficiência do transporte no futuro.

O Transcol III é o primeiro passo na direção de implementar essas diretrizes. O presidente da Companhia de Transportes da Grande Vitória (Ceturb-GV), Marcelo Ferraz, garante que o problema será atacado na sua base. A superlotação será amenizada com a circulação de mais ônibus articulados. A frota desses veículos será dobrada, de 28 para 56, já em 2006.

Muitas ações ainda esperam a conclusão do cronograma de obras e certamente só serão colocadas em prática no próximo governo. Segundo Ferraz, as ações do Transcol III devem ser suficientes para absorver a demanda até 2020. "O próximo passo será a implantação de corredores exclusivos para ônibus em avenidas que serão preparadas para isso. O ônibus será priorizado. Quando estas faixas estiverem em funcionamento, 87 ônibus articulados estarão circulando na Região Metropolitana", explicou.

Quanto à possibilidade de implantação de transporte sobre trilhos, a Ceturb-GV espera a conclusão de um estudo denominado Espírito Santo 2025, elaborado pela Secretaria de Estado de Economia e Planejamento. Ele apontará um cenário a longo prazo e esclarecerá a viabilidade deste transporte frente à demanda da metrópole.

Segundo o urbanista e arquiteto Fernando Betarello, o Transcol III já deveria ser o primeiro passo para a implantação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), uma espécie de metrô de superfície. A vantagem deste sistema é a possibilidade de se aumentar a quantidade de vagões de acordo com a demanda, problema que os ônibus articulados já não conseguem resolver. Para ele, o Transcol III vai dar apenas um fôlego temporário ao sistema viário da Grande Vitória. "Já passou da hora de estudar o VLT", afirmou o urbanista.

Ainda segundo Betarello, o sistema precisa ganhar a confiabilidade da população para que as pessoas deixem seus carros em casa. A implantação de faixas exclusivas de ônibus vai dar mais agilidade ao sistema e pode servir como via de circulação para o VLT no futuro.

Transcol

O Sistema Transcol foi criado em 1985 e está baseado em um modelo que utiliza terminais modais. Eles fazem a integração entre diversas linhas de ônibus. As chamadas linhas alimentadoras saem dos bairros e levam a população até estes terminais. De lá saem as linhas troncais, levando as pessoas aos principais bairros e áreas centrais da cidade.

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