Vitória (ES), edição de 14 de novembro de 2005
 

Inclusão de medicinas naturais
no SUS é discutida com ministro


Flávia Bernardes

O capixaba e presidente da Associação Nacional de Médicos Homeopatas, Hélio Bergo, irá se reunir com o Ministro da Saúde, Saraiva Felipe, para discutir junto a outros especialistas a Política Nacional de Medicinas Naturais e Práticas Complementares no Sistema Único de Saúde. A reunião será realizada na Câmara Federal, no dia 22 de novembro, às 16h30.

A campanha para a inclusão de medicinas naturais no sistema público de saúde vêm sendo realizada em todo o país simultaneamente, e segundo Hélio Bergo, a inserção desta prática levará inúmeras vantagens à população.

A homeopatia, que está entre as medicinas naturais propostas, contribui para a diminuição da farmaco-dependência, reduzindo a demanda por intervenções hospitalares e emergências, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos usuários. No SUS vem crescendo a uma média anual de cerca de 10% a demanda para homeopatia.

Além da cura de doenças, a homeopatia tem um tratamento preventivo e contínuo que serve para prever ou tratar doenças e agravos ao longo da vida do paciente. No Estado, foi divulgado um abaixo-assinado e um questionário feito nos 78 municípios para diagnosticar a situação de cada um e mobilizar a população para garantir a aprovação da proposta.

O uso da homeopatia significa um queda nos custos - por tratar o paciente de forma personalizada e então solicitar menos exames - que onera mais a medicina tradicional e ainda utiliza um remédio que custa em média de R$ 6,00 a 8,00 para vários tratamentos ao mesmo tempo. Além disso, os remédios homeopáticos custam menos, pois não pagam royalties, e são de produção mais simples e barata.

Se aprovada a nova política, deverão ser incluídas na rede de saúde as práticas homeopatia, acupuntura, fitoterapia e antroposofia. O projeto já foi aprovado pêlos conselhos Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e de Secretários Municipais de Saúde (Conasems).

Participam dessa reunião além de Hélio Bergo, profissionais de todo o país, como o Otávio Koiti Hara, presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura, (AMBA); Agamenon Honório Silva, presidente da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura (SMBA); Terezinha de Jesus Soares dos Santos, presidente da Associação Nacional de Fitoterapia (Associofito); Samir Wady Rahme, presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos - (SBMA); Tereza Cristina de Andrade Leitão Aguiar, presidenta da Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH), e José Roberto Lazzarini, presidente da Sociedade Brasileira de Fitoterapia (Sobrafito).

Vitória já conta com o Centro de Referência em Homeopatia (CRH). Atualmente cerca de 800 pessoas freqüentam o CRH por mês, e o número só não é superior porque não há médicos suficientes para tantos pacientes. Hoje nove médicos atendem no CRH.

Ao todo o sistema já atendeu cerca de 8 mil pessoas este ano. Em dezembro do ano passado chegou a registrar 27.840 consultas e uma pesquisa realizada no centro mostra que 88% dos usuários afirmaram estar satisfeitos com o atendimento, e cerca de 70% registram ter melhorado das doenças que apresentavam.

No Espírito Santo, os primeiros serviços públicos de homeopatia forma implantados na administração de Vítor Buaiz, na prefeitura de Vitória, em 1992. Foram contratados quatro médicos homeopatas, aprovados em concurso público.

O CRH foi criado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) do Espírito Santo para atender a uma crescente demanda pela especialidade. Foi implantado em dezembro de 2000, com os objetivos de "prestar assistência ambulatorial em homeopatia, trabalhar em projetos de educação em saúde e realizar pesquisas clínicas e sociais".

Para se consultar no Centro de Referência em Homeopatia podem ligar para o telefone (27) 3381.3339/3381.3340 para agendar por telefone. O paciente deverá passar por uma palestra onde os procedimentos e cuidados serão explicados e terá sua consulta agendada com tempo de espera de aproximadamente 15 dias.

   
A implementação da homeopatia no SUS representa uma importante estratégia para a construção de um modelo de atenção centrado na saúde uma vez que:

o adota medidas eficazes e efetivas em diversas situações clinicas do adoecimento, agudas ou crônicas, presentes na demanda do dia a dia dos serviços de saúde como, por exemplo, as doenças crônicas não-transmissíveis, as doenças respiratórias e alérgicas, os transtornos psicossomáticos, a depressão. A homeopatia pode ser utilizada de forma exclusiva ou complementar, como no caso de seu uso em enfermarias, emergências ou unidades de terapias intensivas;

o atua, em grande parte, promovendo o uso racional de medicamentos, podendo muitas vezes contribuir eficazmente na diminuição da fármaco-dependência, reduzindo a demanda por intervenções hospitalares e emergências, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos usuários;

o incentiva a produção nacional de medicamentos, visto que o País possui potencial para atender a demanda do SUS na produção, manipulação e dispensarão dos medicamentos homeopáticos;

o recoloca o sujeito no centro do paradigma da atenção, inscrevendo-o numa dimensão física, psicológica, social e cultural. No processo saúde/doença, o adoecimento é visto como expressão da ruptura da harmonia dessas diferentes dimensões, contribuindo, desta forma, com o principio da integralidade da atenção à saúde;

o fortalece a relação médico-paciente como um dos elementos fundamentais da terapêutica, promovendo a humanização na atenção, estimulando o auto-cuidado e a autonomia do indivíduo.