Vitória (ES), edição de 17 de novembro de 2005    
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Pennies 'n' Pussies
Um tratado sobre o sexo na pré-história (dos videogames) - parte 01



Gabriel Menotti
Atualizado toda sexta-feira, às 16 horas


A indústria pornográfica é rápida em se aproveitar dos avanços tecnológicos. Mesmo quando ainda não passava de um artesanato, ela já era pioneira na exploração das mais novas mídias. Com o videogame, não poderia ter sido diferente. A bem da verdade, a própria idéia dos jogos eletrônicos nasceu ligada ao sexo.

Foi nos Penny Arcades que a pornografia encontrou os videogames pela primeira vez. Nesses salões populares, do início do século XX, eram expostas as primeiras diversões óptico-mecânicas acionadas por moedas ("pennies"). Entre aqueles ancestrais do fliperama estavam as máquinas de peep show.

Os peep shows davam ao espectador a oportunidade de ver, através de uma pequena fresta, um filme de uma mulher trocando de roupas, tomando banho ou realizando alguma outra atividade íntima. Embora não fossem sexualmente explícitos, eles já carregavam um forte erotismo para a época - não apenas por causa das imagens que mostravam, como também da posição invasiva em que colocavam o espectador.

Esse erotismo voyeur marcaria tanto a história do cinema quanto a invenção do videogame. Com base nele, a linguagem cinematográfica clássica se desenvolveu em torno de técnicas de visão desimpedida e penetrante, buscando dar ao espectador uma impressão de contato direto com a imagem.

Mas espionar não envolve apenas ver, como também invadir. E, embora o cinema tenha relegado a segundo plano a relação do voyeur com a fresta, é justamente essa relação que vai definir o erotismo nos videogames.

O erotismo nos videogames não está ligado à imagem, mas à relação que o usuário estabelece com ela através de determinados obstáculos - em última instância, o console e a tela. É um erotismo muito menos visual do que táctil-motor (embora os movimentos em questão estejam longe de ser sexuais).

Por isso mesmo, videogames pornográficos dificilmente se prestam à masturbação, fim universal da maior parte do material "adulto". Por mais realistas, os personagens poligonais não conseguem ser mais sexy que uma escultura de pacotes de sucrilhos. E o joystick, meu Deus, representa um empecilho inevitável.
E-mails para o colunista: gabriel.menotti@gmail.com


 

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