Através do jornal "A Tribuna", o governador Paulo Hartung fez mais uma tentativa para passar a idéia de que ainda não definiu se vai disputar o governo ou o Senado. Voltou a dizer que a sua vontade, como da família, assim como o momento ideal para ele, é o Senado. Sendo o governo meramente conseqüência das atuais circunstâncias políticas do Estado.
A entrevista, por sinal, foi longa, mas não divergiu e nem desalinhou do que foi dito das vezes anteriores sobre o assunto. Também não fez os efeitos desejados. O de semear dúvidas. Apesar de passados alguns dias dessa entrevista, não mudou o quadro e muito menos mudaram as opiniões de que ele é realmente candidato ao governo.
Na rua, ele continua candidato a governador. Para a oposição também. No governo, idem. Volta aquela expressão, que é real, correta para o momento político que ele vive. De que está condenado a candidatar-se ao governo, muito embora, nessa sua última entrevista, ele tenha se esforçado em realçar as qualidades do seu secretário Guilherme Dias para o cargo.
Assim como quem estivesse dizendo que Dias já não apenas é o excelente técnico. Mas anda dando também boas caminhadas como político. Sobressaindo nas suas aparições públicas. É bem possível. Mas não vai sobressair o necessário para criar interesse público que o alce à altura de poder substitui-lo na candidatura ao governo sem as inevitáveis frustrações populares.
Mesmo que seja real o Dias, e a preferência do governador pelo Senado, mesmo também que o assustem quatro anos mais de governo, onde a fadiga de material é inevitável, ele não tem como escapar. A árvore que plantou, aguou, cuidou, é da espécie governo e o ex-governador Max Mauro já está embaixo de machado em punho. Essa é a realidade PH e também o tempo político do Estado.
Fragmentos
1 - Hoje, pela manhã, a deputada estadual do PSB e sindicalista Janete de Sá ofereceu um café da manhã à imprensa. Prestação de conta do mandato, assim também como quem está a demonstrar condições reais de reeleição. Janete é um raro exemplo de parlamentar que fez o mandato sem desvincular-se das obrigações com a sua categoria profissional. Ela é ferroviária e ao longo dos anos vem renovando mandatos em sua diretoria.
2 - Inicialmente ela teve dificuldades de adaptações no parlamento. Andou reagindo como se estivesse nas lutas sindicais. Batendo de frente. Depois civilizou-se à moda da casa. Batendo e assoprando. Fora da Assembléia, ampliou sua relação com outros segmentos sociais.
3 - Em matéria partidária, ela saiu do PT (antes inclusive de eleger-se deputada estadual) e entrou no PSB. Deixou o PT depois de jurada pelas correntes radicais, acostumadas a trombar com ela na área sindical. Mas no PSB o processo de ajuste foi lento. Trocou até algumas cotoveladas com o seu colega de bancada na Assembléia, deputado Paulo Folleto. Mas hoje está totalmente ajustada à moda socialista do deputado federal Renato Casagrande. Conseguiu virar política sem deixar de ser sindicalista. Que era o seu grande drama.
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