Vitória (ES), edição de 18 de novembro de 2005    
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Um tratado sobre o sexo na pré-história (dos videogames) - parte 02



Gabriel Menotti
Atualizado toda sexta-feira, às 16 horas


Desde os primeiros jogos pornográficos, o sexo nos videogames parece feito mais para divertir do que para excitar, constituindo motivo para um tipo muito peculiar de humor grotesco e ligeiramente absurdo, típico de uma piada suja. Os videogames pornográficos sempre estiveram mais para American Pie do que para Ass-travaganza III, e as raras tentativas de fazer alguma coisa realmente excitante acabam se tornando ainda mais cômicas.

O Atari 2600, primeiro console a se tornar comercialmente popular, já possuía uma linha de jogos explícitos no final dos anos 70. Lançados em sua maioria pela produtora Mystique, esses jogos dificilmente eram encontrados em lojas convencionais, sendo comumente vendidos pelo correio.

  
Foto: Divulgação
  
Capa do jogo Burning Desire
Embora a produtora divulgasse em seus panfletos promocionais que "já era hora dos jogadores adultos saírem do armário e lidarem com fantasias adultas", isso dificilmente seria corroborado pela qualidade de seus produtos. Entre eles, se destacam títulos bizarros como "Burning Desire", onde o jogador comandava um homem nú que, pendurado em um helicóptero, deveria acabar com o incêndio de um prédio ejaculando sobre as chamas.

Se o enredo não parece nada erótico, tampouco era sua execução. Os gráficos quadriculados dificilmente seriam levados a sério pelo onanista mais compenetrado, e a história estava longe de ser particularmente animadora.

Nos computadores, os primeiros jogos pornográficos eram adventures de texto, como Softporn Adventure (Sierra, 1981) e Leather Goddesses of Phobos (Infocom, 1986). Ao contrário dos jogos da Mystique, esses adventures primavam justamente pela complexidade do roteiro. Além disso, sutilmente, eles deixavam claro que seu público-alvo não era exatamente adulto, mas sim adolescente.

Esse fato ajuda a entender o tipo de excitação que suscitavam, e que não era intrínseca ao jogo, mas provocada pelo seu contexto de consumo. Como não se tratavam de material explícito, esses jogos não possuíam nenhuma restrição de circulação, quando muito advertências inócuas.

A temática do jogo, reforçada por esse tipo de mensagem, criava uma aura ambígua de proibição. A satisfação erótica do jogador estava em transgredir essa proibição, em simplesmente adquirir o jogo e jogá-lo. Um prazer quase inocente, muito semelhante ao de um adolescente que assiste Porky's escondido dos pais.

Clique aqui e leia a primeira coluna da série sobre sexo nos videogames

E-mails para o colunista: gabriel.menotti@gmail.com


 

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