Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Nada mudou depois da operação: o mesmo vigor,
a mesma coragem, a mesma linguagem desabrida

A guerreira está de volta





Cristina Moura


"É mais fácil obter o que se deseja
com um sorriso do que à ponta da espada."
William Shakespeare

A veia cômica da deputada Mariazinha Vellozo Lucas ajuda a digerir os assuntos mais incômodos. Espirituosa nas afirmações, provocando risos, mas com um fundo de preocupação que não se deixa abater, ela avalia a situação pré-eleitoral do Espírito Santo. Entende que o processo será tortuoso em 2006 e que o quesito 'dinheiro' continuará pesando na hora das decisões. Fala de empresas como CST, Vale, Aracruz, Samarco, dentre outras, financiando campanhas.

Mariazinha não acredita nos temas abordados pelo governador, incluindo uma possível concorrência ao Senado. " Nisso aí o que ele fala não se escreve", enfatiza Mariazinha, com o mesmo tom de indignação que coloca quando fala no PT.

No partido, não nos seus colegas deputados, como Vereza e Casteglione. Eles são homens de bem e não combinam com o território minado dos petistas, segundo a deputada.

Para concorrer com Hartung, Mariazinha cita o presidente do PDT e ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal. Ela aproveita também para defender seu amigo Élcio Álvares, que quer uma vaga no Senado e seria o azarão do páreo num cenário complicado. E sobre o seu filho, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas, uma certeza que parece inabalável: ele é candidato a deputado federal. Falou o coração materno que, dizem, é difícil se enganar.

Século Diário: - Na sua avaliação, o governador Paulo Hartung será candidato à reeleição ou ao Senado?

  
Foto: Apoena
  
Mariazinha: - Puta que pariu! A primeira informação que você quer de mim é sobre um homem com quem eu não me dou, que fez de mim uma inimiga... Ele fez de mim uma inimiga! Depois de toda uma vida, tá? Então, o que eu posso dizer é o seguinte: o que ele diz a respeito não é para se escrever. Na minha avaliação, ele é candidato à reeleição.

- Quem poderia concorrer na oposição?

- Sérgio Vidigal. Ele está trabalhando, devagarzinho como ele é, sem agredir ninguém, sem gastar dinheiro com publicidade, certo? Mas ele está andando pelo Estado inteiro. Eu acredito muito que Sérgio vai ser um candidato muito bom para disputar com o atual governador. Ele (Hartung) não vai pensar que vai estar numa pista para ele correr sozinho não... Não vai mesmo porque tem Sérgio Vidigal e os Max (o ex-governador Max Mauro e o prefeito de Vila Velha, Max Filho, PDT).

- A senhora acredita numa aliança entre os Max e Vidigal?

- Eles são do mesmo partido. Se forem inteligentes, vão se juntar porque, realmente, o governador está com a faca e o queijo na mão. Entendeu? Então, não é fácil tomar isso dele não porque ele está, realmente, cercado. Passou esses três anos fazendo isso para quando chegar na hora da eleição ele estar 'com tudo'... 'E não estar prosa' não. Ele 'está prosa'.

- Os Max acreditam que Sérgio Vidigal está mantendo um certo diálogo com o governador...

- Eu acho que teve uma época... Sérgio é um cara ameno. Sérgio é um psiquiatra. É médico. Realmente, teve uma época que ele manteve um diálogo todas as vezes com o governador, que o chamou... O governador tentou tudo para trazê-lo, mas ele não foi. Hoje eu acho que não porque ele está mudando esse quadro com a possibilidade de vir a ser candidato ao governo. E ter duas caras, eu acho que não. Acho não, eu tenho certeza que Sérgio Vidigal não tem.

- Como a senhora está percebendo o cenário para as eleições 2006, até agora?

- Eu acho que é uma eleição que não vai ser fácil, diante de tanta safadeza, de tanta corrupção. Vai ser mais difícil dinheiro para a eleição. E eleição é igual a... dinheiro. E aí começa todo tipo de corrupção. Nós estamos vendo isso. Eu digo isso... Se vocês virem entrevista minha há dez anos atrás, eu digo isso. A raiz da corrupção no Brasil são as eleições. Quem dá dinheiro quer dar para se beneficiar. Todo mundo quer tirar uma vantagem, inclusive o povo, coitado... Não tem muito do que se alegrar. A única época que ele pode conseguir um dinheirinho fácil é na época de eleição. Então, qualquer presidente de associação... Eu estive numa eleição. Eu nunca tinha participado e fiz a primeira vez. Quer dinheiro. Todo mundo quer dinheiro. E aí, o que é que acontece? A última eleição aí, teve gente que pagou dez reais por voto. Agora, você não pode dizer quem foi. Como? Você não tem uma prova disso...
  
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E ninguém diz porque o corrupto, a única coisa que ele não faz é passar recibo. Seria ótimo se ele passasse recibo, mas ele não passa... Então, eu acho que vai ser uma eleição mais difícil. O governador tem um 'handcap' muito grande nisso. Eu não digo problema dele, pessoal, mas do grupo que ele quer. Quem é que ele quer? Também ninguém sabe. Mas quem ele quer eleger? Ele vai arranjar ajuda financeira com essas grandes indústrias... Vai arranjar dinheiro para essa gente. Porque eu acho que a Aracruz, a CST, a Vale, a Samarco e tal... vão dar dinheiro. Eles sempre deram dinheiro. Deram a mim! Agora, o meu está lá, no Tribunal Eleitoral, lá, dizendo quanto deu, parece que foi trinta mil. Eu nem me lembro mais, mas está lá.

- Este é o cenário até agora?

- Para mim, este é o cenário.

- E o PT?

- O PT tá fodido, na minha avaliação. Tem gente que ainda é PT. É capaz de você ser, não sei...