Vitória (ES), edição de 21 de novembro de 2005    
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Oscar Vasconcelos
Atualizado toda terça-feira, às 16 horas


Um "draminha" pessoal pra começar. A maré não anda boa, sabem? Parece que o mundo se uniu para testar minha paciência. Tenho me saído bem, sou tranqüilo [* às vezes até demais, eu sei *] mas depois de uma série de "pequenas provações" diárias, o som do meu carro, há mais de 48 horas, se recusa a ejetar o cd que está dentro dele. Não satisfeito, ele só toca o cd quando quer. Para piorar, eu que nada tinha contra a Ana Carolina, pelo contrário, até gostava, já ando irritado ao imaginar que só posso ouvir a voz dela dentro do carro [* não sei quanto mais agüentarei *].

E mesmo assim se tiver sorte! Já mencionei que o horário que faço o trajeto trabalho-casa rola uma certa "Voz do Brasil"? Pois é. O som está na garantia, mas ainda não pude providenciar o conserto porque a nota fiscal (que confirma a data) dele foi roubada logo após a instalação. A loja onde comprei precisa do número do meu antigo cartão de crédito - com o qual fiz a compra - mas por sua vez ele também foi roubado. Logo, o processo será lento, e vocês não sabem como me deprime o fato de não ter um som funcionando 100% onde quer que eu esteja. Pronto, obrigado pela atenção. Vamos ao que interessa.
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O projeto "Tom Acústico" que inicialmente sairia apenas em DVD, reunindo Seu Jorge e Ana Carolina (a moça que canta no meu carro - quando quer) no palco do Tom Brasil (SP), sairá também no formato CD. Batizado de "Ana e Jorge", esse que será o primeiro disco ao vivo da cantora, trará dois registros "inéditos". A composição dela "Notícias Populares" e a que foi feita em parceria com Tom Zé, "Unimultiplicidade". Há ainda dois textos de Elisa Lucinda que foram musicados pela dupla ("Só de Sacanagem" e "Alfredo É Gisele").

Já há uma faixa nas rádios, trata-se de uma versão da canção "The Blower`s Daughter" (composta originalmente por Damien Rice) feita por Ana. Seu título em português ficou sendo "É Isso Aí". Essa música se "popularizou" recentemente por fazer parte da trilha sonora do filme "Closer".
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Curiosamente, Zélia Duncan fez uma versão para a mesma música e a ela deu o nome de "Então Me Diz". Por sua vez, registrou a canção em dueto ao vivo com a cantora Simone -que também está lançando um projeto ao vivo em CD e DVD. O mais interessante é que não só, essa também será a música de divulgação do trabalho como também já faz parte da trilha sonora de uma novela que estreou recentemente - e todo mundo já sabe como vai acabar, ainda assim, dão audiência - naquele mesmo canal de sempre.
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Diante do momentâneo estado de "coma profundo" do meu cd-player, estou ouvindo rádio no carro. Coisa que nunca faço. As programações aqui no Rio se repetem demais e são tenebrosas... Das 8 horas, somadas, que ouvi nos últimos dias, só destaco duas músicas muito bacanas que têm tocado, são elas:

"Mãos Atadas", incluída no último álbum de Zélia Duncan ("Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band") e ela canta em parceria com Frejat. Essa é a única do disco que não traz sua assinatura - fora as quatro do Itamar Assupção -, foi composta há 27 anos por Simone Saback e dedicada à Cássia Eller.

"Cotidiano de um Casal Feliz", música do novo álbum de Jay Vaquer, letra sagaz, podre e real com traços de humor negro. Longe de qualquer lugar comum. Atravessa a goela hipócrita da sociedade com versos como "...até pensa em adotar alguma criatura/ pode ser uma criança ou um labrador/ Só depende da raça, depende é da cor..." ou "Ela conta os passos que dá no trajeto entre a terapia e a boca do pó". Muito bom mesmo. O disco chama-se "Você Não Me Conhece", é o terceiro de Jay
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Ando ansioso pelos shows que devem aportar por aqui em breve. Acho cedo para considerarmos certa - embora tudo leve a crer que dessa vez não vai ter erro - a vinda do U2, muita água ainda vai rolar. Pearl Jam sem dúvida é o mais esperado. Praticamente 15 anos de promessas e agora o improvável está muito próximo de acontecer. Ainda vamos falar sobre isso, espero, mas comecei meu "aquecimento" para o show e vou recomendar um cd fundamental da banda.
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Embora o álbum clássico seja o "Ten", é o "Vs" (cujo nome não aparece em nenhum lugar da capa ou encarte) que mais me agrada e para a história da banda acredito que ele seja ainda mais importante. Certa vez, o Renato Russo disse que o grande problema de uma banda, o "grande passo", não é o primeiro, mas sim o segundo disco. Pois, para a estréia, a banda se prepara a vida inteira, já sabe exatamente o que vai colocar ali, mas depois - principalmente se aquele trabalho inicial foi um grande sucesso - vem a pergunta: "E agora?". Há expectativa de todos os lados possíveis, banda, fãs, críticos... O Pearl Jam não se intimidou e fez um disco de rock visceral - com todo peso grunge que se poderia esperar. Eddie Vedder nunca mais gritou [* ninguém mais no mundo conseguiria alcançar os picos que ele atingiu em "Blood", "Animal" ou "Leash", acho que hoje em dia nem o próprio faria tão bem *] tanto em um estúdio como daquela vez. Há também viagens mais líricas e até perturbadoras [* sempre com a densidade proporcionada pelas guitarras de Stone Gossard and Mike McCready que estão além da perfeição nas 12 faixas *] como "Indifference", "Ederly Woman..." ou "Dissident" e as gemas "Daughter", "Rearviewmirror" e "Rats". "Vs" tem a mesma importância e qualidade do indiscutível "Nevermind" do Nirvana.

E-mails para o colunista: conexao021@gmail.com


 

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