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Foto: Ricardo Medeiros
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| A prefeitura de Vitória realiza um seminário para a discussão de como a cultura pode virar economia
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A aproximação entre cultura e economia é um tema ainda novo, porém cada vez mais presente na sociedade. A integração entre os dois setores, a infinidade de elos e ganhos envolvidos na produção cultural e a possibilidade de geração de emprego e renda foram os assuntos debatidos no Seminário Indústrias Criativas na última quinta-feira (17).
O evento foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento de Vitória (CDV) e pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura. Abrindo a sessão de palestras, a secretária de cultura de Vitória, Maria Helena Signorelli, falou sobre a "Política Nacional/Local: Indústria Criativa" e apresentou os projetos que vêm sendo desenvolvidos no município.
"O setor da cultura começa a discutir economia da cultura. Esse é um assunto que está sendo discutido nacional e internacionalmente. Alguns setores da cultura ainda vêem como perigosa a abordagem de cultura e economia juntas. E alguns economistas ainda vêem a cultura como um setor marginal", admitiu.
A secretária também destacou os obstáculos desse processo de associação entre cultura e economia. "É um desafio quando pensamos em economia da cultura, nos posicionarmos de modo a incluir os saberes culturais, o modo de fazer, sem desrespeitar esses saberes. Com o seminário, o nosso desafio é discutir o desafio local da indústria criativa e a mobilização de políticas locais de incentivo às produções culturais".
Dentro da Secretaria, a intenção é trabalhar a cultura como elemento de inserção social, com projetos que busquem mobilizar áreas que ainda não estejam promovendo a democratização do acesso á cultura. Como exemplos, Maria Helena citou os projetos municipais Circuito Cultural, com oficinas e apresentações artísticas nas comunidades, o programa Artes na Praça e a assinatura de um convênio recentemente com a Associação de Folclore de Vitória.
O próximo palestrante foi Erlon José Paschoal, da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura e membro do Conselho Deliberativo do Centro Internacional da Indústria Criativa, que falou sobre "A Política Nacional e a Indústria Criativa".
"É fundamental tentar delimitar esse conceito. A realidade já existe, o que estamos tentando é conceituar. Criar uma noção de desenvolvimento econômico que não fique somente ligado aos números, mas que amplie o seu conceito e atinja o indivíduo como um todo. A transversalidade é fundamental, já que a indústria criativa atravessa setores antagônicos na história da humanidade. É um percurso que devemos percorrer lentamente, mas não devemos esperar que a sociedade mude, mas fazer discussões para mostrar a ela que isso é fundamental", expôs.
Erlon também ponderou sobre os desafios da Indústria Criativa. "Essa aproximação entre política e cultura exige de todos nós uma certa flexibilidade das hierarquias do saber, vencer os preconceitos. Tem que haver um diálogo entre as duas áreas. Não adianta a cultura discutir se a economia não estiver inteirada do processo", explicou.
Na opinião de Erlon, o Brasil não tem como competir com países desenvolvidos em setores como tecnologia de ponta, portanto, a criatividade pode ser a grande arma do país. "A cultura no Brasil é algo extremamente importante e já está sendo incluída no discurso dos políticos. A cultura tem que ter formas de financiamento e a gente sabe que o que existe hoje é insuficiente. Hoje o poder público entra com as leis e o setor privado fica com os lucros".
Após as exposições, foi aberto um debate para que a platéia pudesse pontuar e esclarecer dúvidas sobre os temas. Na seqüência, Décio Coutinho, do SEBRAE-GO, apresentou a palestra "Ativos Culturais e Agregação de Valor na Indústria Cultural" falando um pouco sobre a Indústria Criativa e da experiência do SEBRAE de Goiás, que é o único do Brasil que já trabalha com o setor. "A cultura só cresce se ela for baseada na criatividade. Não basta sonhar, fantasiar, é preciso criar. E para isso é preciso ter condições práticas. O setor da cultura no Brasil sempre foi muito discriminado, daí as dificuldades de trabalhar", disse.
Terminando a manhã, a presidente do Instituto Marlin Azul, Beatriz Lindenberg, deu um depoimento sobre "O Vitória Cine & Video e a valorização de ativos culturais locais", falando das experiências de trabalho do instituto. O encerramento do seminário, na quinta-feira (17) ainda, foi com a palestra de Luiz Carlos Prestes Filho, coordenador de Pesquisa de Cadeias Produtivas da Cultura, da Incubadora Cultural Gênesis (PUC-Rio), e o coquetel de lançamento de seu livro "A Cadeia Produtiva da Economia da Música".
Indústria Criativa
As indústrias criativas são atividades econômicas que se caracterizam pela utilização da criatividade e da cultura como matéria-prima em seu processo de produção e trabalho, independente de terem ou não finalidade de fruição cultural.
O Folclore, as Artes Plásticas, as Artes Cênicas, Música, a Moda, o Patrimônio Histórico, o Design, o Rádio e a Televisão, a Literatura, a Arquitetura e o Audiovisual, são setores que poderão ser contemplados com ações de apoio por parte do poder público municipal..
O seminário é a primeira ação do município para alavancar esse mercado da indústria criativa, que já movimenta cerca de US$ 1,3 trilhão ao ano no mundo, sendo na Inglaterra responsável pelo emprego de 10% da mão-de-obra no país.
A Prefeitura de Vitória e organizações do segmento estão montando um cronograma de ações até 2008, que inclui a implantação de uma incubadora de base cultural no prédio do antigo Hotel Sagres, no Centro da Cidade.
Confira o cronograma
- Seminário "Indústrias Criativas" (novembro 2005);
- Elaboração de Inventário dos Setores Culturais do Município de Vitória (2005/2006);
- Elaboração de Diagnóstico dos Setores Culturais do Município de Vitória (2006);
- Proposição de Políticas Públicas e Ações de Fomento para os Setores Culturais do Município de Vitória (2006);
- Publicação de Catálogos e outras ações de fomento indicadas pelo diagnóstico dos setores (2006 a 2008);
- Implantação de Incubadora Cultural e Social no Centro de Vitória, dentro do Programa de Revitalização do Centro (2007);
- Realização/atração de seminários, encontros e outros eventos relacionados ao tema "Indústrias Criativas" (2006 a 2008).
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