Vitória (ES), edição de 23 de novembro de 2005    
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CD´s revivem a Jovem Guarda



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  
Célebre disco de Wanderléa com Renato e Seus Blue Caps, em 1964
Os anos eram 1965 e a televisão apresentava ao público brasileiro os emergentes cantores e ídolos da juventude Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. O programa Jovem Guarda fez uma reviravolta nos padrões de comportamento brasileiros. Hoje, 40 anos depois os sucessos da época voltam às lojas, em CD's.

Vários artistas e grupos tiveram seu trabalho remasterizado. O grande ídolo da época, Roberto Carlos, já teve três décadas de carreira relançadas. No box set "Para Sempre - Década de 60" estão os álbuns "Splish Splash", "É Proibido Fumar", "Canta pra Juventude", "Jovem Guarda", "Eu te darei o Céu", "Em Ritmo de Aventura", "O Inimitável" e "As Flores do Jardim da nossa Casa", lançados originalmente na década de 60, em oito CD's remasterizados digitalmente, com capas e contracapas originais, letras de todas as músicas e fichas técnicas das gravações.

Da década de 70, foi lançado o box set "Para Sempre - Década de 70". São 12 CD's com clássicos de Roberto Carlos no período, incluindo raridades como o infantil Pedro e Lobo. Completando, "Pra Sempre - Década de 80" traz 11 CD's com as músicas lançadas na época, com uma remasterização feita a partir das matrizes originais pelo produtor Guto Graça Melo, e o apoio do pesquisador musical Marcelo Fróes.

Ele e ela

Da Ternurinha, Wanderléia, foram reunidos os álbuns originais gravados pela CBS nos anos 60 no box set intitulado "Wanderléia - Jovem Guarda". São seis CD's em versões remasterizadas, com capas originais e encartes com letras, fichas técnicas e textos históricos, além de algumas faixas-extras lançados durante o período.

Erasmo Carlos, com o último box lançado em setembro, completa toda a sua obra reeditada para CD. "Erasmo Carlos - O Tremendão" repõe em catálogo os seis primeiros discos gravados pelo artista entre 1965 e 1970, período que antecede, cobre e sucede a Jovem Guarda. A caixa traz os álbuns "Erasmo Carlos" (1967) e "Erasmo" (1968), inéditos em CD, e "A Pescaria" (1965), "Você me acende" (1966), "O Tremendão" (1967) e "Erasmo Carlos & Os Tremendões" (1970), que já haviam sido relançados num box da RGE dos anos 90. A Universal também lançou anteriormente uma caixa com os discos de Erasmo Carlos de 1971 a 1988.

A banda "Renato e seus Blue Caps" também ganhou uma edição especial de seu trabalho. O box, com o nome da banda, reúne 15 álbuns originais do grupo, além de um CD bônus com raridades. Foram contemplados os maiores sucessos, desde a formação, no início dos anos 60, até os mais recentes.

Um estilo Jovem Guarda

Mais do que uma boa idéia para preencher o horário que ficou vago com a proibição da transmissão direta dos jogos do campeonato paulista de futebol e de uma excelente forma de derrotar o Festival da Juventude, líder de audiência da TV Excelsior, e de vender vários produtos, de discos a calças, blusas e até bonecas, o programa Jovem Guarda foi o catalisador de um movimento que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock, da invasão britânica liderada pelos Beatles, e deu origem a toda uma nova linguagem musical e novos padrões de comportamento.

Entravam em cena as guitarras elétricas, os signos jovens e vários artistas como Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Eduardo Araújo, Martinha, Ed Wilson, Waldirene, Leno & Lílian, Deny e Dino, Bobby Di Carlo e grupos como Golden Boys, Renato & Seus Blue Caps, Os Incríveis, Os Vips e tantos outros. Numa adaptação do "yeah, yeah, yeah!", da música "She Loves You", dos Beatles, a palavra de ordem era iê-iê-iê.

A maior parte das letras eram ingênuas e recatadas, boa parte das músicas, versões de sucessos do rock americano, britânico, italiano e até japonês. Mas também havia compositores como a dupla Roberto & Erasmo, Getúlio Côrtes (de "Negro Gato", cantada por Roberto), Leno e Carlos Imperial.

No ano de 1967, a Tropicália já começava a dar o ar da graça. Ao mesmo tempo a Jovem Guarda iniciava o seu declínio. O programa de TV acabou em 1969 e cada um seguiu seu caminho. Houve quem seguisse Roberto Carlos na carreira de cantor romântico (Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von), quem continuasse no rock (Erasmo, Os Incríveis) e quem se bandeasse para o brega (Agnaldo Rayol e Reginaldo Rossi), música sertaneja (Nalva Aguiar, Sérgio Reis) ou mesmo rock rural (Eduardo Araújo). Os Fevers se tornaram uma das mais ativas bandas de bailes e de estúdios e os Golden Boys gravaram coros em muitos discos de MPB.

Saiba mais!

Clique aqui para visitar o site criado por Marcelo Fróes, autor do livro "Jovem Guarda em Ritmo de Aventura" (2000, Editora 34), sobre o período.


 

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