"Nada é mais difícil, e por isso
mais precioso, do que ser capaz de decidir."
(Napoleão)
A essência da avaliação do prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi (PSB), sobre as próximas é que o governador Paulo Hartung (PMDB) não deveria ser candidato à reeleição. Balestrassi acredita que o Espírito Santo precisa de uma representatividade maior e mais fortalecida no cenário nacional. Hartung seria uma boa opção para suprir essa lacuna no Senado.
Mas, ao analisar o cenário preparado para a reeleição do governador, Balestrassi admite que a situação é viável. Como presidente da Amunes (Associação dos Municípios do Espírito Santo), ele circula entre diversas correntes e administrações públicas que se encontram sob uma certa dependência do Estado. Esse controle seria primordial para Hartung, em sua trajetória por mais quatro anos de mandato no Executivo.
Em Colatina, os grupos de Balestrassi e do rival, deputado federal Marcelino Fraga (PMDB), subirão no mesmo palanque? O prefeito diz que não. Nesta entrevista, além de apontar nomes para deputados estadual e federal e Renato Casagrande (PSB) para o Senado, Balestrassi nega qualquer possibilidade de se desincompatibilizar, caso seu nome seja cogitado com mais ênfase para ser vice de Paulo Hartung.
Século Diário: - Como o senhor está percebendo esse período de preparação para as eleições 2006?
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Foto: Ricardo Medeiros
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Balestrassi: - Eu sou um defensor de que Hartung não deveria ser candidato à reeleição. Diferentemente da maioria dos outros prefeitos, eu acho que ele é um quadro muito bom para o Estado, eu acho que ele deveria ir para a política nacional, até com o posicionamento de jogar com uma coisa muito maior. Não só ao Senado, mas pensando assim em algo maior e pensando numa postura nacional. É que, na minha visão, se ele continuar no Estado, no caso se for reeleito. o Estado é muito pequeno. Então, não estaremos construindo novas lideranças. E também acho que ele deveria ir para lá e deve apoiar alguém. Acho que tem condições de quem ele apoiar ganhar a eleição. Mas acho que no Espírito Santo ele não tem risco de retrocesso. É diferente. Tem-se que ir para uma eleição quando o risco de retrocesso é muito grande. Eu não acho que o Espírito Santo tenha risco de retrocesso. Eu acho que ele vai avançar, mesmo se não ganhar a eleição. Acho que o debate vai ser muito maior e nós vamos fortalecer aqui novas lideranças. Este é o meu primeiro ponto de vista, mas acredito que isso não vá acontecer. Acho que ele vai ser candidato à reeleição, mas torço para que ele não vá.
- E, não sendo, quais os nomes possíveis para a disputa?
- Eu acho que se abre um leque muito grande para o debate, entendeu? Ele deve apoiar Luiz Paulo, Ferraço, Camata, Guilherme Dias, um desses nomes... Eu, particularmente, gosto de Renato Casagrande. Acho que é um bom quadro. Surgem, aí, Vidigal e Max com um discurso de oposição, Cláudio Vereza... Então, o debate fica bom, vai fortalecer o debate no Estado. São bons nomes. Quer dizer... Acho que nós não temos a possibilidade de retroceder.
- Seu nome também surge...
- Não acredito que seja o meu momento ainda, não está nos meus planos. Um município do interior disputar uma eleição para vencer é muito complicado. Lógico que eu tenho uma visão de todo o Estado, mas não vejo nesse ponto. Acho que é preciso estar com mais força para disputar o governo do Estado. Para o cargo de governador não vejo, assim, esse ambiente não.
- E para vice?
- É, o pessoal fala muito, mas também é uma possibilidade muito remota porque tem que se desincompatibilizar do cargo e não me interessa ser candidato a outra coisa. Uma vice até que me interessaria, mas tem que desincompatibilizar. Aí, se não surgir a vice, que sempre se decide mais na frente, eu perco meu mandato de prefeito e não tenho interesse em ser candidato a estadual, a federal nem ao Senado. Então, a possibilidade de isso acontecer é muito remota.
- Como fica o PSB, que tem o deputado federal Renato Casagrande como pré-candidato a senador, caso não conte com o apoio do governador?
- A linha nossa, a prioridade do PSB, é a candidatura ao Senado de Renato Casagrande. É isso que está em debate, em negociação. Não acontecendo isso, eu acredito que nós vamos fazer um grande debate interno e essa avaliação de onde fica mais fácil, onde o acordo fica melhor para uma candidatura ao Senado de Renato Casagrande. É isso que está em jogo, é isso que estamos querendo fortalecer, a candidatura de Renato.
- O senhor está trabalhando com o governador para esse projeto?
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Foto: Ricardo Medeiros
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- Eu trabalho na negociação para Renato ser candidato ao Senado pelo governo. Se não for, é uma reflexão que temos que fazer. Se o governo abrir para outro lado, temos que fazer uma reflexão... Meu projeto prioritário, além de Hartung, se ele for candidato à reeleição, é Renato. Então, vou tentar conciliar isso aí. Se não acontecer, essa reflexão vamos fazer dentro do partido.
- Qual é a sua avaliação sobre a candidatura do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT)?
- Eu vejo um bom debate, uma boa candidatura. É muito melhor estar escolhendo entre bons candidatos do que o menos pior, não é? Eu vejo duas boas candidaturas. Isso vai fortalecer o debate e vai colocar o Espírito Santo e fazer com que as pessoas participem mais da vida pública, da vida política, participem mais dos partidos, estejam envolvidas nessa construção partidária, para que surjam boas lideranças. Eu acho isso esplendoroso. Estou torcendo para que Vidigal venha a ser candidato ao governo contra Hartung.