| |
Foto: Apoena
 |
|
| O galpão não comporta todas as atividades das paneleiras
|
A idéia de reformar o galpão da Associação das Paneleiras não agrada a categoria. A proposta é da Prefeitura de Vitória, mas ainda não emplacou entre os trabalhadores que produzem as famosas panelas de barro. Essa fama, inclusive, é questionada pelas próprias artesãs.
Elas não se sentem valorizadas como gostariam. A categoria quer mesmo um galpão novo, num terreno já observado, próximo ao local atual, em Goiabeiras. A complicação seria a propriedade do terreno que pertenceria legalmente a mais de um dono, mas, segundo as paneleiras, o que falta mesmo é vontade política para resolver o problema.
Nesta semana, uma reunião com representantes da Prefeitura seria realizada, mas foi adiada em virtude da Festa das Paneleiras, que será realizada neste final de semana. Outro problema para a categoria. A festa não é realizada há dois anos e, na divulgação, as tradições não seriam valorizadas, como o resgate do trabalho atravessando gerações.
A época de realização do evento seria entre julho e agosto, aproveitando ainda a leva de turistas pelo Estado. Este ano, acabou ficando em novembro, fato que desagrada às principais anfitriãs.
Ambiente não colabora
A reforma do galpão em Goiabeiras não vai melhorar a situação dos trabalhadores. Para Berenice Corrêa Nascimento, uma das lideranças do local, a categoria tem receio do projeto da Prefeitura por vários motivos. Um deles seria uma rua que passaria ao lado do galpão, justamente no local de queimação do material produzido.
São quase 40 pessoas trabalhando que obedecem a uma escala informal de revezamento. Durante as entrevistas realizadas para esta matéria, por exemplo, um ônibus de uma escola particular chegou ao local com quase 30 crianças. O motivo principal: uma visita no cenário da produção, acompanhada de uma oficina de miniaturas de barro.
Acontece que o local da oficina, apesar de instrutora disponível e crianças bem dispostas, só comportou de 10 a 12 alunos, que se debatiam num espaço pequeno. Em alguns locais de confecção das panelas, não havia espaço suficiente para o trabalho.
Há dias que quase oito pessoas se aglomeram em cinco metros quadrados. Mesmo assim, são quase 300 peças produzidas por dia. A produção poderia ser bem maior, segundo as paneleiras, mas o ambiente de trabalho não colabora. Elas também se queixam da altura das mesas, que acarreta problemas de coluna.
"Precisamos de um espaço bem maior. O que temos não comporta o número de pessoas que circulam por aqui. A Prefeitura quer impor condições. Não é assim. Estamos reivindicando nossos direitos. O galpão não é da Prefeitura", afirmou Débora Corrêa, uma das paneleiras que sempre mantém contato com os representantes da administração municipal.
| |
Foto: Apoena
|
|
| A paneleira Berenice Corrêa quer um outro projeto
|
Caminhos e entraves
A Rota Manguezal seria outra reivindicação das paneleiras. Para elas, o projeto do governo do Estado, em parceria com o governo federal, comportaria o novo galpão almejado pela categoria, além de outros itens essenciais para envolver a comunidade de Goiabeiras no trabalho.
Um dos problemas que poderiam ser resolvidos com um novo galpão seria a transferência de famílias que produzem panelas em quintais. Outro entrave é o pagamento do IPTU do galpão atual, de mais de R$ 1 mil, para ser levantado em mensalidades de somente R$ 5,00 - as quais não são totalmente quitadas. Além disso, a conta de energia elétrica varia entre R$ 80,00 e R$ 90,00.
Leia Mais
A Subsecretaria de Turismo da Prefeitura de Vitória está tentando chegar num acordo para a reforma do galpão.
O bem e o mal da Festa das Paneleiras
|